terça-feira, 31 de março de 2015

A política brasileira e os protestos populares

(Imagem representativa do movimento brasileiro Vem pra Rua - Fonte desconhecida)

Após o seu "descobrimento" em 1500 o Brasil começou a ser governado pela coroa portuguesa que lutou para defender o território das constantes invasões francesas, holandesas e inglesas. Aos poucos o povo brasileiro foi se formando a partir da convivência forçada entre os novos "donos" do país, nossos nativos e milhares de africanos trazidos a força para cá pelo homem branco. Surgia assim uma nação conflituosa que exploraria descaradamente os seus cidadãos através de atos políticos que, aos poucos, começaram a ser contestados pela população cansada dos abusos governamentais.

Em 1808 o país começou a passar por mudanças significativas a partir da chegada do rei, Dom João VI, juntamente com toda a corte portuguesa. Assim que desembarcou em solo brasileiro, o monarca autorizou o comércio com a Inglaterra e passou a organizar o país com medidas como a criação de instituições como a Marinha, o Banco do Brasil, o Jardim Botânico, entre outras. Mesmo com a euforia causada pela chegada real, o povo apresentou os primeiros sinais de insatisfação revelando o desejo de mudanças políticas e de cobranças de impostos nas áreas de mineração. Então surgiram revoltas como: a Revolta de Beckman, a Guerra dos Mascates, a Guerra dos Emboabas, a Revolta de Vila Rica, a Conjuração Mineira, a Conjuração Baiana e a Revolução Pernambucana.

Em 07 de setembro de 1822 o Brasil finalmente alcançou sua liberdade política através do filho de Dom João VI, D. Pedro I, que prometeu defender os interesses do povo brasileiro a partir do grito de independência na beira do rio Ipiranga, seguido pela defesa do recém criado país durante a Guerra de Independência e concluindo nosso governo autônomo através da compra de nossa liberdade. Logo após seu segundo casamento, Dom Pedro I optou por voltar a Portugal para assumir o trono deixado por seu pai, já que o povo brasileiro se mostrava descontente com seu excesso de romances escandalosos e baixa atividade política, como ficou claro durante a Noite das Garrafadas. Assim o poder brasileiro foi deixado para seu filho, Dom Pedro II, com apenas 5 anos de idade.

A missão de governar o país enquanto o pequeno Pedro crescia ficou a cargo de duas regências trinas e duas unas. Mesmo com a presença de militares no poder e a criação da Guarda Nacional, o país virou um verdadeiro caos político devido a instabilidade dos governante, assim surgindo novas demonstrações da insatisfação popular como a Revolta dos Malês, a Cabanagem, a Revolução Farroupilha, a Sabinada e a Balaiada. Quando Dom Pedro II finalmente assumiu seu cargo ainda precisou enfrentar a Revolução Praiana antes de conseguir um período de considerável estabilidade governamental.

Após décadas de um governo pacato e bastante simples, Dom Pedro II se mostrou cansado e muito mais interessado em ciência do que em política e, assim, acabou sendo expulso do país por militares de alta patente que criaram a República brasileira. Todavia a nova Constituição tentou encobrir a imensa insatisfação popular oriunda de novas leis que autorizavam vacinações forçadas, expropriações, castigos físicos nas forças armadas para integrantes negros, entre outras decisões políticas extremamente equivocadas e preconceituosas que provocaram novas reações populares como a Revolta da Armada, a Revolução Federalista (da Degola), a Revolta da Vacina, a Revolta da Chibata, A Organização Operária, a criação de Canudos, a Guerra do Contestado e o Cangaço.

Para tentar colocar em fim em tamanha agitação popular, um homem determinado deu um golpe político e assumiu o poder durante 15 anos consecutivos, Getúlio Vargas. Ele acabou apelidado como pai dos pobres devido as garantias trabalhistas e eleitorais que garantiu a homens e mulheres desse país. Após seu suicídio o Brasil caiu nas mãos de políticos populistas e apelativos como o famoso Jânio Quadros e sua vassourinha anti corrupção ou seu pó branco sobre os ombros simulando a caspa do povão brasileiro.

Os boatos de comunismo acabaram se espalham e a Ditadura Militar assumiu a cena política brasileira apoiada pelos Estados Unidos da América que pretendia se livrar da ameaça de liderança propagada pela antiga União Soviética. Era o início da intensa repressão que silenciou tragicamente a voz do país durante um longo período de censura política. Os mais diversos crimes foram cometidos em nome da garantia de um governo sólido, somente após muitos decretos presidenciais e a diminuição da ameaça comunista nosso país começou a ser reaberto politicamente.

Somente no governo de Fernando Henrique Cardoso o Brasil finalmente alcançou uma estabilidade financeira e social que acabou sendo arrasada nos governos posteriores exercidos pelo Partido dos Trabalhadores (PT). Durante os governos petistas iniciados em 2002 com o mandato de Luiz Inácio Lula da Silva, o país viveu o maior escândalo financeiro das últimas décadas. Em 2012 o povo começou a realizar protestos conhecidos como Vem pra Rua que ficaram ainda mais sérios a partir de 2015 demonstrando uma insatisfação sem precedentes oriunda do aumento inescrupuloso do custo de vida causado pelos aumentos nas tarifas de transporte, conta de energia elétrica, combustíveis, remédios, importados, entre outros setores afetados.

O que nos resta neste momento é olhar pra nossa intensa trajetória de revoltas populacionais para buscar inspiração e partir para movimentos sólidos em busca de melhores condições de vida, pois o Brasil já sofreu demais e isso tudo é inadmissível em pleno século XXI.
Vamos agir povo brasileiro, conto com todos vocês!

Um comentário:

João Batista de Oliveira Neto disse...

Acredito que apenas no governo do Itamar, quando o plano real se iniciou, a estabilidade econômica começou a existir. Porém com o desenfreado desejo de privatização, que deveria, em tese, ajudar a diminuir a dívida pública brasileira, as coisas só pioraram. Desde de Dom Pedro até o governo de FHC o montante da dívida era de 38% do PIB, o que, pela lógica, deveria diminuir, já que nossas empresas começaram a ser vendidas descontroladamente para o capital privado, mas não foi o que aconteceu. Em oito anos de governo a dívida saiu de 38 para 72% do nosso produto interno bruto, mostrando a irresponsabilidade duma era chamada de PRIVATARIA TUCANA.