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segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Exposição: Os Navios Negreiros

(Acervo pessoal)

A exposição foi realizada no pátio da E.E.B. Alice da Silva Gomes durante o mês de agosto do ano de 2014. O acervo foi produzido pelos alunos dos sétimos anos após seus estudos sobre a viagem dos navios negreiros (tumbeiros) até o Brasil.

Cada dupla deveria reproduzir, em desenho ou poesia, todo o sofrimento dos africanos quando se deparavam com a realidade dentro das caravelas. Os alunos estavam livres para escolher o que preferiam retratar, a alimentação, as agressões, os abusos, as doenças, etc.

Clique nas imagens para ampliá-las e conferir como os escravos brasileiros eram tratados durante os dois meses de viagem que suportavam até alcançarem as terras brasileiras aonde seriam vendidos como mercadoria e lançados numa vida de escravidão e humilhação completa:

(Acervo pessoal)  
(Acervo pessoal)  
(Acervo pessoal)
(Navio negreiro por Michele e Natasha - 7ºV/2014)
(Navio negreiro por David e Saionara - 7ºI/2014)
(Navio negreiro por Matheus Hames e Samael - 7ºIII/2014)




terça-feira, 23 de julho de 2013

Império comercial português

A  busca pelas especiarias produzidas na Ásia, mais especificamente nas Índias, iniciada pelos portugueses em 1415 acabou desencadeando uma verdadeira caça ao tesouro por parte dos países europeus. Todos eles tentavam encontrar o melhor caminho para alcançar os produtos com suas naus e caravelas. Mas nenhum deles obteve tanto sucesso quanto Portugal.

O pequeno país, menor que o Estado de Santa Catarina, foi o primeiro a chegar nas Índias e daí em diante suas grandes navegações comerciais só fizeram aumentar. Em pouco tempo os portugueses já haviam colonizado terras na África, na Ásia e na América. Desta maneira formaram um vasto império comercial que lhes transformou no povo mais rico do mundo durante muito tempo.

Para quem achava que os portugueses carregavam somente negros, pau-Brasil, cana de açúcar ou café, é bom dar uma olhadinha no mapa que segue, pois ele mostra a grande variedade de produtos comercializados assim como as rotas comerciais mais exploradas por Portugal para alcançar suas colônias, confira (clique na imagem para ampliar):

(Mapa do império comercial português produzido pela aluna Tainara Mafessoli do 7º ano II - 2013)

terça-feira, 19 de março de 2013

A Escola de Sagres

(Local onde teria existido a Escola de Sagres)

Os portugueses costumam contar as história de uma incrível escola de navegação criada no século XIV por Dom Henrique. Segundo os relatos a Escola de Sagres reunia sábios europeus estudando as técnicas e instrumentos náuticos.

Sabemos que desde os tempos de Dom João II os sábios eram reunidos em Portugal para buscar soluções de navegação, mas teriam feito tudo oralmente para evitar que as informações escritas fossem roubadas por outros países. No entanto nunca existiu provas de que existisse uma escola.

No local onde dizem ter existido a Escola de Sagres existe somente uma igreja datada de 1500, um pequeno porto pesqueiro construído em 1800 e um ponto turístico erguido no século XX. A geografia do lugar sequer teria condições de receber os enormes barcos portugueses do século XV construídos para viagens comerciais que duravam meses.

Se Dom Henrique realmente tivesse inaugurado a Escola de Sagres porque teria incluído as disciplinas de astronomia, aritmética e geometria na Universidade de Lisboa? Ele de fato organizou as primeiras grandes viagens marítimas, mas provas de que ele fundou essa escola só para navegação não existem, nem documentais, nem arquitetônicas.


Para mais detalhes sobre o tema, assista a vídeo-aula que segue:


segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

A maldição dos Bragança

(Brasão da Real Família de Bragança)
Segundo a tradição monárquica o primeiro filho homem do rei deveria herdar o trono de seu pai, era a regra da hereditariedade da coroa, um direito divino conferido as famílias de sangue azul que compunham a Europa, uma tradição seguida a risca durante séculos que despertou muitas desavenças entre irmãos, algumas delas terminariam em verdadeiras tragédias familiares, era a ganância e a fome de poder fazendo vítimas.

A dinastia dos Bragança, a quarta de Portugal, foi fundada em 1640 pelo duque de Bragança intitulado Dom João IV. Conta a lenda que o rei foi abordado por um frade franciscano que lhe pediu uma esmola. O duque teria dado-lhe um pontapé, humilhado, o religioso teria lhe rogado uma maldição, segundo esta nenhum filho primogênito viveria até assumir o governo, morrendo na infância.

Lenda ou verdade, o fato é que todos os primogênitos dos Bragança faleceram ainda crianças. O Brasil recebeu esta família em 1808 e assistiu a morte de dois herdeiros do trono português, em fevereiro de 1821 faleceu o primeiro filho legítimo de Dom Pedro I, o pequeno João Carlos. Mais tarde, em 1847 foi Dom Pedro II quem sofre a perda de Afonso Pedro que contava apena dois anos de vida.

Todos os primogênitos dos Bragança morreram desde a ascensão da família em 1640 até a sua queda em 1910 quando a República foi instituída em Portugal. Uma tragédia que assolava as imperatrizes que relutavam na tentativa de manter seus filhos vivos. Acreditar em 270 anos de coincidência é um pouco difícil não acham? Nesse caso a maldição realmente existiu e funcionou. E você, é supersticioso ao ponto de acreditar nessa história?

D. Pedro I, o "rapazinho" da Independência

(Caricatura de Dom Pedro I premiada no XVI Salão Carioca de Humor)
Treze anos após a fuga da família real portuguesa para o Brasil, Portugal passava por sérios problemas internos. O sentimento de humilhação, desprezo e desconsideração era indisfarçável. Todos os portugueses se sentiam trocados pelo Brasil, era uma metrópole menosprezada por sua colônia. Então, em 1820 a Assembléia das Cortes foi convocada, após cento e vinte anos em desuso, para debater a situação lamentável que o país enfrentava. 

Nessas reuniões o rei ouvia os nobres da terra, os chefes militares e os religiosos mais importantes do reino acerca das leis e o papel que as cortes desempenhariam no governo. No entanto, esta de 1821, foi um tanto diferente, composta por padres, professores, advogados e comerciantes, que formavam a nova elite portuguesa. Ao contrário das cortes precedentes, esta não tinha um fundamento conservador, mas sim liberal, influenciada pela Revolução Francesa e foram convocadas a revelia do conhecimento do rei.

O verdadeiro intuito das cortes era dissolver a monarquia absolutista de Dom João VI, substituindo-a por uma monarquia constitucional, mais democrática. A intenção, no fundo, era devolver ao Brasil sua posição de colônia e revogar sua posição de Reino Unido a Portugal e Algarves conferida em 1815. Eram medidas de cunho vingativo. Em 1821, quando o Rei retorna a Portugal, mas mantém seu filho, D. Pedro I como príncipe regente nas terras brasileiras os ânimos se exaltam.

As cartas portuguesas que chegavam a capital, Rio de Janeiro, eram repletas de ameaças e provocações. A mensagem era clara, as decisões tomadas por Dom João VI nos treze anos em que permaneceu nos trópicos seriam anuladas e o príncipe deveria retornar imediatamente para Portugal para passar uns tempos na Europa sendo educado. As cortes vinham chamando Dom Pedro I de "rapazinho" demonstrando seu desprezo pelo monarca que afirmou ao padre Belchior: "Pois verão agora quanto vale o rapazinho."

Em 28 de agosto de 1822 o navio Três Corações chegava ao Rio de Janeiro com papéis explosivos contendo os decretos das cortes constituintes portuguesas. Elas destituíam Dom Pedro do papel de príncipe regente dando-lhe o cargo de delegado das autoridades de Lisboa, anulavam suas decisões, informavam que seus ministros seriam nomeados em Portugal, limitavam seu poder somente a capital e regiões vizinhas, e declaravam que as demais províncias deveriam se reportar diretamente a capital portuguesa.

Essas noticias foram levadas pelos mensageiros Paulo Bregaro e Antônio Ramos Cordeiro até o encontro do príncipe regente na colina do Ipiranga junto dos conselhos da imperatriz Leopoldina e do primeiro ministro José Bonifácio, o ultimo afirmava que só haviam duas saídas: retornar a Portugal e virar prisioneiro das cortes como seu pai Dom João ou proclamar a independência fazendo-se imperador ou rei. Dom Pedro I após ser bombardeado com tantas informações pediu os conselho do padre Belchior e decidiu, era chegado o momento de separar Brasil de Portugal.

O ressentimento português acabou gerando essa separação, com ela o país europeu só foi prejudicado, afinal, perdeu sua maior e mais importante colônia, a que lhe rendera mais riquezas. E assim o "rapazinho" provou que aos 23 anos de idade já era maduro o suficiente para tomar uma decisão tão difícil e manter a integridade de suas posses como lhe pedira seu pai antes de retornar a Portugal. Mais detalhes no livro 1822 da autoria de Laurentino Gomes.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Percalços e perigos durante as grandes navegações portuguesas

(Fonte desconhecida)

Navegar nas grandes embarcações do século XV era um desafio diário mesmo estando a bordo dos melhores navios da época, aqueles confeccionados na moderna Portugal. Dentre as dificuldades enfrentadas muitas significavam, inevitavelmente, a morte. Podemos destacar as calmarias, os naufrágios e os ataques piratas como os mais aterrorizadores dos acontecimentos em auto mar. 

As calmarias dos ventos atrasava as viagens, as vezes dias, outras vezes semanas. A estagnação dos barcos causava o racionamento de comida e provocava surtos nos embarcados. O desespero de não ter como alcançar as terras chegava a causar vertigens e alucinações. Há registros de marujos que tinham miragens ao olhar as águas, assim como acontecia nos desertos, e acabavam se lançando ao mar pensando estar vendo terra, comida e familiares. A loucura acometia a tripulação após horas de aflição a deriva. 

Os naufrágios eram acontecimentos desoladores. Os tripulantes enfrentavam um desespero lento e gradual, a morte era praticamente inevitável. As dezenas que conseguiam acesso aos barcos salva vidas teriam que conviver dias com a falta de mantimentos e os destroços humanos e materiais a rondar sua pequena embarcação. Há registros em que mães chegam a esquecer seus próprios filhos na caravela que afundava, outras assim o faziam para evitar sobrepeso no bote, uma vez que teriam que trazer a ama de leite consigo.

Aqueles que alcançassem o litoral teriam que enfrentar o desconhecido, os nativos, a comida exótica, as terras inóspitas, poucos encontrariam hospitalidade a tempo de sobreviver. Existem raras ocasiões em que os tripulantes conseguiram evitar o naufrágio contornando a situação até ancorar em segurança. A premissa de que o capitão nunca abandona seu barco é uma mera ilusão, os fatos mostram que este era o primeiro a embarcar no barco reserva, seu lugar era garantido, assim como os da alta nobreza, religiosos e oficiais graduados.

Os ataques piratas eram muito comuns nas rotas das especiarias orientais. Tudo indica que essa prática de ataque surpresa foi inventada pelos próprios portugueses, se essa suposição for verdadeira o feitiço acabou virando contra o feiticeiro. A violência era marca registrada nos navios piratas, geralmente os oficiais eram mortos, a tripulação largada a deriva, as crianças empregadas em trabalhos sujos e as mulheres abusadas sexualmente. Isso para nos poupar dos detalhes sórdidos da ação desses corsários.

Seja qual for das três situações não é de se estranhar a dificuldade para encontrar tripulantes para as embarcações não é mesmo?! Nenhum familiar, por mais ganancioso que fosse, gostaria de incentivar seu ente querido a partir nestas aventuras além mar. Caso tenha se interessado pelo assunto você pode encontrar mais detalhes destas empreitadas audaciosas no livro Por Mares Nunca Dantes Navegados de Fábio Pestana Ramos. Até mais.

O cotidiano nas caravelas portuguesas

(Charge Mario Alberto)
Os dias de confinamento dentro das caravelas portuguesas eram desafiadores. Somente homens muito corajosos ou sem motivos para permanecer em Portugal ousavam se arriscar na busca além mar pelas especiarias orientais. As naus que seguiam para o oriente eram lentas e enfrentavam meses a deriva, já as caravelas que mais tarde eram enviadas para o Brasil eram menores, mais leves e desfrutavam de uma distancia consideravelmente mais curta, logo todas as adversidades que serão citadas a seguir eram, particularmente, mais comuns e intensas para os velejadores que seguiam rumo as terras do sol nascente.

As acomodações eram minusculas. Os marinheiros de baixo escalão dormiam todos juntos numa espécie de beliche de madeira, sem colchão, montada nos cascos das embarcações. Os oficiais de ponta desfrutavam de um pouco mais de conforto em algumas cabines particulares ou compartilhadas com alguns colegas de profissão. Banheiros não compunham o aparato naval, então as necessidades eram feitas em baldes ou pinicos. Os mais habilidosos se satisfaziam sentando na beirada do barco, contudo muitos desapareceram.

A alimentação compunha o maior desafio. Ao embarcar cada pessoa levava alguns mantimentos próprios que eram guardados em cavidades da embarcação. O abastecimento geral ficava por conta da coroa que nunca embarcava a quantidade realmente necessária de gêneros, até mesmo porque, era certo que apodreceria e seria desperdiçada. A água e o vinho a disposição ao fim do primeiro mês já era racionado e se encontravam em processo de putrefação. A comida era escassa, composta basicamente por biscoitos.

Cada nau contava com um único fogão e cozinheiro, este era encarregado do preparo dos alimentos de todos os embarcados, logicamente, acabava privilegiando aqueles que tinham condições de suborna-lo. O mercado negro de comida era uma prática enriquecedora. A falta de alimentos provocava o escorbuto, doença advinda da falta de vitaminas que ocasionava fraqueza nas articulações, inchaço da gengiva e perca dos dentes levando a morte. A fome levava ao desespero, loucura, suicídio e lançamentos ao mar.

Além do escorbuto, outras doenças aterrorizavam no mar. As infestações de pragas como piolhos e pulgas contribuíam com a atmosfera insalubre. Os médicos a bordo resolviam praticamente toda e qualquer doença com a aplicação de sangrias, o que, na maioria das vezes, levava o paciente a morte e provocava uma epidemia nos demais embarcados dependendo da enfermidade em questão. As mulheres quando atingidas por piolhos costumavam raspar a cabeça, mas perder os cabelos era o menor dos problemas para elas.

O maior perigo para as embarcadas era sem dúvida alguma o estupro. Conseguir evita-lo até o desembarque era praticamente impossível. Os marujos após semanas embarcados estavam praticamente loucos por uma mulher. A violação das crianças embarcadas era cotidiana e mesmo as orgias grupais não satisfaziam os desejos carnais dos homens em alto-mar. As prostitutas e mulheres pobres muitas vezes eram sequestradas na calada da noite e embarcadas contra vontade para suprir a demanda por sexo.

Muitas eram compartilhadas por até 5 homens simultaneamente, assim não é de se estranhar a ausência de mulheres nos navios, uma vez que sequer freiras, noviças e nobres eram poupadas da violência sexual. O homossexualismo se tornou a saída encontrada e os meninos embarcados eram os principais alvos de cobiça. As únicas datas respeitadas durante as viagens eram os dias santos, comemorados com festas e muito aguardados pelos tripulantes. Você pode aprofundar o estudo sobre o cotidiano dentro das embarcações portuguesas lendo Por Mares Nunca Dantes Navegados de Fábio Pestana Ramos. No próximo post vamos conhecer os principais perigos que essas viagens apresentavam. Até mais.

O "Descobrimento do Brasil"

(Davi Sales / iStock Photos)


A história tradicional menciona o ano de 1500 como data oficial do descobrimento do Brasil. O fato é que alguns registros anteriores a Cabral já apresentavam a existência das terras americanas. Moedas da antiguidade já foram encontradas em escavações por aqui, algumas romanas e outras cartaginenses o que indica que esse território vem sendo explorado desde os primeiros séculos. Um mapa chinês de 1421 já trazia em sua apresentação os contornos de toda a América.

Além destes registros materiais, as lendas e textos populares eram repletos de boatos acerca da existência destas terras perdidas no Atlântico. Tanto que em 1488 o reino de Portugal criou uma lei estabelecendo que todos os relatos sobre descobertas territoriais deveriam ser feitos somente ao rei em pessoa ou a seus acessores de inteira confiança para evitar que outras nações ficassem sabendo do fato e se lançassem ao mar em busca da mesma colonia. 

Prova maior de que as terras brasileiras haviam sido descobertas antes de 1500 foi a tentativa portuguesa de alterar os limites de posse do Tratado de Alcaçovas no ano de 1490. Portugal pretendia conseguir junto a Espanha o direito de posse sobre parte maior do globo terrestre, parte essa que contemplaria o litoral brasileiro. Ainda em 1498 Duarte Pereira Pacheco mapeava os limites do Tratado de Tordesilhas cedendo essa faixa litorânea ao reino português.

Ao que tudo indica Portugal realmente já havia alcançado as terras brasileiras muito antes de 1500, provavelmente, durante uma tentativa de abastecer as naus que navegavam para a Índia. Sua existência com certeza foi mantida em sigilo para preservar a rota das especiarias orientais, mantendo o monopólio português. Certamente com a descoberta das Américas em 1492 por Cristovão Colombo a coroa portuguesa se sentiu ameaçada e decidiu oficializar a descoberta da Terra de Santa Cruz.

Para essa oficialização enviaram Pedro Alvares Cabral, um fidalgo de baixa nobreza, não era necessário muito mais do que isso para esse serviço, além do mais seus dotes diplomáticos lhe proporcionavam certa grandeza. Desta maneira a História Tradicional do "Descobrimento do Brasil" foi forjada, esta mesma que inunda os bancos escolares em pleno século XXI. Creio que já passa da hora de uma boa revisão historiográfica não acha?! Para mais detalhes leia Por Mares Nunca Dantes Navegados de Fábio Pestana Ramos. Até mais.

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

A recepção dos portugueses nas terras "descobertas" através do Oceano Índico

(A chegada dos portugueses ao Japão, pormenor de um biombo Namban)

A costa africana foi a primeira parada das embarcações portuguesas durante as investidas marítimas iniciadas no século XV. Na África a cor branca da pele lusitana provocou a associação dos recém chegados a almas sagradas. Os africanos acreditavam que os portugueses eram deuses por isso os recepcionaram com afeto, mas o desrespeito e as doenças que os brancos trouxeram consigo logo encerraram a relação pacifica entre os povos. A rivalidade entre as tribos locais logo foi notada e utilizada em favor da subjugação dos povos iniciando o processo de exploração territorial e mais tarde de escravização.

Ao alcançar a Índia os lusitanos se deparam com ampla variedade cultural e comércio efervescente. Ao aportarem foram confundidos com mendigos por seu estado esfarrapado, vistos como piratas mal intencionados em busca das especiarias indianas. Os padres jesuítas tentaram uma persuasão pacífica para implantar o catolicismo, entretanto os demais portugueses tentaram impor sua religião com violência suscitando grande resistência e posteriormente quando Holandeses e Franceses chegam a costa de forma pacífica acabam conquistando o apoio dos asiáticos, desta forma Portugal acaba perdendo seu domínio no país.

A China foi a maior surpresa aos olhos portugueses. A beleza e organização das cidades impressionaram ao ponto de se tornaram referencia para a antiquada Portugal. Os hábitos de leitura e boa conduta chinesa causaram grande admiração. Os marujos lusitanos ao desembarcarem em busca de seda completamente maltrapilhos após meses sofrendo privações em alto mar eram vistos com muita desconfiança. O governo e a marinha chineses extremamente poderosos impediram que os lusos agissem através da força, então pela primeira vez durante a conquista de novos territórios eles precisaram agir com diplomacia e respeito.

O Japão composto por diversas ilhas, vivendo num sistema feudal, enfrentando tempestades e guerras civis apresentava um quadro desafiador personificado na figura dos inteligentes orientais munidos de suas espadas ágeis e ameaçadoras. Portugal acabou auxiliando esse país ao re-estabelecer seu comércio com a China. Contudo os japoneses um tanto avessos a intervenções acabaram expulsando os padres jesuítas do território em respeito a tradição budista. Aos poucos o país se fechou a estrangeiros desconsiderando o incentivo comercial português que, desta maneira, perdeu sua fonte de extração de prata.

Após essas quatro, e outras, aventuras pelo oceano Índico, Portugal acabou se deparando com mais terras desconhecidas, desta vez atravessando o oceano Atlântico, era a vez de explorar a Terra de Santa Cruz que hoje conhecemos por Brasil, mas essa é uma outra história. Você pode aprofundar esse tema lendo Por Mares Nunca Dantes Navegados de Fábio Pestana Ramos.

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Os preparativos para as grandes navegações portuguesas

(Partida da Caravela Bartolomeu Dias em Lisboa 08/11/1987 recriando a odisseia do navegador português)

Construir uma nau capaz de alcançar a Índia no século XV custava o equivalente a 326kg de ouro, a quantia suficiente para adquirir 1.300.000 escravos africanos. Por ter um custo tão elevado as viagens em busca das especiarias orientais geralmente eram custeadas pelo Estado com a participação dos funcionários mais graduados da embarcação garantindo que seria responsavelmente comandada.

As caravelas que aportavam na África e mais tarde as que seguiriam rumo às terras brasileiras eram bem menores, custando em torno de 75kg de ouro, por isso eram construídas por particulares que pagavam tributos a coroa para explorar o além mar.  As grandes viagens portuguesas costumavam render um lucro de praticamente 24.000%, por outro lado no caso de naufrágio tudo era perdido, o que levou muitos investidores a loucura ou suicídio.

A indústria naval portuguesa era um monopólio da Nação. Embora os navios fossem construídos pelas mesmas mãos cada um deles tinha uma particularidade, lembrando que eram produções completamente manuais. A construção das naus poderia levar de alguns meses até anos para ser concluída e seguia alguns procedimentos comuns encontrados em manuais da época. Com o passar do tempo as madeiras adequadas se tornaram escassas o que levou a confecção dos barcos em outras possessões portuguesas, como o Brasil, no estaleiro de Salvador, por exemplo.

Conseguir a tripulação necessária que variava de 60 homens até 900 dependendo do porte da embarcação era um pouco complicado. O medo dos naufrágios, a grande taxa de morte em alto mar e as dificuldades do dia a dia embarcado afastavam muitos homens dessa profissão. Tanto que a maioria dos cargos eram preenchidos por degredados e crianças. Chegando ao ponto de sequestrar homens na calada da noite para embarca-los forçadamente.

No inicio das grandes navegações os altos postos das caravelas eram ocupados por homens experientes, mas com o passar do tempo quando estes conquistaram o direito de embarcar peças de seu interesse nos navios a procura acabou aumentando e a coroa começou a vender estes cargos à nobres, como era de se esperar os membros da nobreza não tinham conhecimentos técnicos para conduzir as naus e, geralmente, acabavam provocando acidentes fatais.

Após ter a tripulação formada os navios eram ancorados e preparados para a viagem. O abastecimento dos gêneros de necessidade era feito pelo armazém real e durava em média cinco dias. Na hora do embarque era feito a chamada dos alistados que deviam se apresentar enquanto a família acenava do cais na tentativa de evitar o embarque de espiões e intrusos, feito isto, a aventura começa.

Para a Índia, geralmente, seguia um único barco com grandes dimensões e suporte bélico para combater piratas em busca das raras especiarias a serem comercializadas. À Africa seguiam diversas embarcações em busca de matéria prima e mais tarde homens a serem escravizados nas Américas. Enquanto que para o Brasil era comum a vinda de alguns barcos escoltados por navios de guerra procurando por riquezas naturais.

Maiores detalhes sobre os preparativos para as grandes navegações portuguesas podem ser encontrados no livro: Por mares nunca dantes navegados do historiador Fábio Pestana Ramos.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

O cotidiano português durante a Idade Média

(Fonte desconhecida)

O cavaleiro francês, D. Afonso Henrique, recebeu o condado portucalense para protegê-lo das invasões mouras, assim, durante a Guerra da Reconquista, recuperou parte da península ibérica do domínio muçulmano. Seu primo, D. Raimundo, fracassado nessa missão, ficou com as terras mais ao norte que hoje compõe a Espanha. Pressionado ao norte por seu primo e ao sul pela expansão muçulmana, D. Henrique não encontrou outra saída a não ser unir seu povo em torno de um governo centralizado e forte, dessa forma foi criada a primeira monarquia da história. Da criação do reino até o inicio da expansão marítima o povo português passou por situações bem interessantes, como:

Os feudos empobrecidos assistiam a fuga dos servos para a cidade. As terras não rendiam o suficiente e os castigos físicos nos pelourinhos eram humilhantes, enquanto isso as vilas ofereciam novas oportunidades no comercio das especiarias.

A baixa nobreza que perdia seus servidores para os centros urbanos, sobre tudo para a defesa do país e a crescente indústria pesqueira não conseguia mais arcar com seus impostos e passava a viver sobre a custódia do rei aumentando as despesas governamentais.

A coroa criou leis para evitar a fuga dos serviçais, mas ao mesmo tempo fazia vistas grossas ao fato porque necessitava desse contingente de mão de obra para preencher as vagas nos estaleiros e navios.

As crianças eram vistas como animais de estimação até os sete anos, não existia a concepção de infância, e poucas sobreviviam a esta idade. Afim de se livrar dessa boca para alimentar muitos pais humildes mandavam seus filhos à trabalho para as embarcações.

A população pobre vivia na parte baixa da cidade em meio a todo tipo de sujeira que escorria pelas ladeiras. Todo e qualquer tipo de lixo era jogado pelas janelas por isso era comum o uso de capas com capuz, só assim se evitava ser atingido por algum excremento de pinico.

O banho era visto como uma ameaça ao corpo por infiltra-se no organismo, logo não era um hábito cotidiano. No inicio era visto como pecado por ocorrer de forma comunitária em grandes tinas, mais tarde nas casas de banho (banheiros) cada membro da família tomava seu banho sozinho, embora todos usassem a mesma água.

A higiene intima era precária. A vergonha de expor as roupas nos varais levava muitas senhoras a usarem as vestes por meses sem lavá-las. Algumas pessoas não lavavam pelo simples fato de ter uma única peça para vestir.

As necessidades fisiológicas eram feitas nos cantos das casas, em pinicos ou em salas próprias para isso compostas por uma tabua com perfurações onde as pessoas sentavam-se uma ao lado das outras e conversavam durante o processo. A tabua ligava os excrementos a uma vala ou ao próprio quintal da residência.

A alimentação da população pobre se baseava em pães repletos de barro, pois não havia o habito de joeirar o trigo antes de moer o grão. E a higiene bucal após as refeições era feita com enxágüe d’água ou de xixi, no caso dos mais exigentes.

O consumo de carne bovina, ovina e suína era uma raridade, já as aves eram cultivadas em pequenas propriedades, mas só alcançavam as mesas da nobreza em ocasiões muito especiais. Os pobres, por sua vez, podiam caçar nos bosques senhoriais caso desejassem tentar a sorte em busca de carne para alimentar sua família, mas a taxa a ser paga era muito alta.

Em publico as moças solteiras podiam mostrar parte do cabelo e do colo, as casadas já deviam ter um maior recato, enquanto que as viúvas deveriam se cobrir dos pés a cabeça semelhante a uma freira. Dentro de casa todas elas vestiam somente uma saia e um blusão para evitar o desconforto dos espartilhos e anáguas.

As mulheres mais pobres usavam roupas mais simples, com tecidos grosseiros e ausência de jóias. As prostitutas e marginalizadas vestiam-se de modo a esconder sua vergonha através de um véu que cobria seu rosto. Homens casados utilizavam uma capa para mostrar seu estado civil que o impedia de ser alistado pelo exército.

Somente homens nobres podiam usar do privilégio de cavalgar em meio à cidade. As damas mais abastadas geralmente eram carregadas em liteiras. Os que podiam pagar pelo serviço desfrutavam da proteção de um guarda sol carregado sobre si durante os passeios.

Hospitais e igrejas eram muito comuns, mas nem tanto quanto os prostíbulos. O medo de contrair doenças afastava alguns clientes, mas recusar o convite de um nobre para estar com prostitutas era uma verdadeira ofensa. Os marujos recém chegados de longas viagens eram sem dúvida os mais interessados nesse serviço.

Vender o corpo era a maneira mais comum das mulheres pobres conseguirem uma renda. A mulher portuguesa era visto como ideal de beleza na Europa. Os maridos quando viajavam deixavam suas esposas sobre os olhares de um religioso para evitar o adultério, hábito comum numa sociedade onde os homens passavam meses em alto mar.

Se a mulher mostrasse a face para um homem era sinal de paquera, tanto, que certa vez uma dama teve a cabeça pregada ao assoalho por seu marido por ter acenado a um transeunte que passava em frente a sua janela.

Nobres não eram condenados por estupro, nem adultério, além disso seu título facilitava o acesso aos conventos onde moças que estavam confinadas por desejo de sua família aguardavam ansiosamente a oportunidade de conhecer os prazeres da carne.

Esses eram alguns dos hábitos portugueses durante a idade medieval, costumes que seriam alterados drasticamente com o advento das grandes navegações. Os lusitanos se lançam ao mar no século XV e provocam uma verdadeira revolução no cotidiano social. Com as novidades alcançadas, sobretudo na Índia e no Brasil os portugueses vêem seu dia a dia mudar drasticamente. Mais detalhes deste período podem ser obtidos no livro que serviu de base para este texto: Por mares nunca dantes navegados de Fábio Pestana Ramos.