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segunda-feira, 20 de maio de 2019

O Iluminismo e os três poderes

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(Fonte: desconhecida)

Atualmente a divisão dos governos em 3 poderes é tão comum que acaba passando despercebida. Porém essa ideia demorou muitos anos para ser criada, desde a antiguidade homens como Aristóteles pensaram muito sobre a melhor maneira de dividir o poder dentro de uma sociedade.

Atualmente nossos países devem essa divisão a um iluminista chamado Charles de Montesquieu, apelidado de Barão de Montesquieu. Os poderes sugeridos por ele seriam o Legislativo, o Executivo e o Judiciário. Cada país adaptou os 3 poderes de Montesquieu conforme sua necessidade.

Abaixo você pode clicar nas imagens para conferir melhor como funciona cada um dos poderes no Brasil:

(Aluno: Matheus Moacir - 8°I/2019)

(Aluno: Matheus Mavszak Soares - 8° VI/2019)

(Aluna: Amanda Castanho - 8°IV/2019)

sábado, 8 de julho de 2017

A Segunda Guerra Mundial

As imposições do Tratado de Versalhes foram consideradas duras e humilhantes demais para os alemães. Nesse momento de grave crise, Hitler e seu grupo político alcançaram o poder da Alemanha criando o Estado Nazista e desencadeando a Segunda Guerra Mundial em 1939, com batalhas que chegariam até 1945.

Nesse conflito militar as grandes potências mundiais se organizaram em duas alianças opostas: os Aliados e o Eixo. Foi a guerra mais abrangente da história, com mais de 100.000.000 de soldados mobilizados. A guerra foi marcada por ataques contra civis, incluindo o Holocausto e a única vez em que armas nucleares foram usadas. O resultado aproximado é de 50 a 70.000.000 de mortes e 35.000.000 de feridos, além de milhões de órfãos e refugiados.

Assista aos vídeos que seguem para conhecer maiores detalhes sobre esse triste acontecimento:

(Apresentação de Lucas Schuch na III Mostra Anual de História)






quinta-feira, 4 de maio de 2017

A Grande Crise de 1929

O Estados Unidos da América vivia dias gloriosos após a Primeira Guerra Mundial e os presidentes permitiram que o capitalismo se alastrasse sem qualquer tipo de controle até que, em 24 de outubro de 1929, o inevitável aconteceu: o crack da Bolsa de Nova York:
 
 

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

A Primeira Guerra Mundial

(Foto capturada durante a 1ª Guerra Mundial - Fonte desconhecida)

A europa estava encantada com o progresso industrial e tecnológico de fins do século XIX e início do XX, era a Belle Époque modernizando as cidades. A população não imaginava o que estava por vir.

O imperialismo se alastrava sobre a Ásia e a África e a ganância europeia levou o mundo ao maior conflito armado já visto, a "grande guerra" causaria terror de 1914 a 1918 com 13 milhões de mortos e 20 milhões de feridos e mutilado.

Assista a aula para conhecer melhor os detalhes desse longo e complexo conflito:



(Apresentação de Mirian Bianca na III Mostra Anual de História)

domingo, 6 de novembro de 2016

A Guerra Fria

Após a vitória na Segunda Gerra Mundial,os Estados Unidos da América e a União Soviética começaram a disputar influência, tecnologia, armamentos e ideologias políticas. Assim essas nações passaram de aliadas a inimigas e iniciaram uma competição entre capitalismo e socialismo que assombrou o mundo com o risco de uma guerra que poderia destruí-lo. Entre 1945 e 1991 os dois países não guerrearam entre si, mas provocaram conflitos isolados assustadores, como a Guerra do Vietnã. 

Assista a vídeo-aula que segue para compreender melhor esse tema:



quarta-feira, 20 de abril de 2016

A Revolução Russa

Foi uma série de eventos políticos na Rússia que derrubou o governo do czar Nicolau II e, depois do governo provisório (Duma), estabeleceu o partido Bolchevique no poder e a criação da URSS (União das Repúblicas Socialistas Soviéticas). Essa revolução pode ser considerada uma reação ao estilo capitalista de viver difundido pelos Estados Unidos da América, foi uma tentativa de instaurar o socialismo como modelo político-econômico.

Assista aos vídeos educacionais que seguem para compreender melhor esse tema:





quinta-feira, 7 de abril de 2016

A Primeira Guerra Mundial

A Europa estava encantada com o progresso industrial e tecnológico de fins do século XIX e início do XX, era a Belle Époque modernizando as cidades e trazendo novidades como a encantadora Torre Eiffel em Paris. A população não imaginava o que estava por vir.

O imperialismo se alastrava sobre a Ásia e a África e a ganância europeia levou o mundo ao maior conflito armado já visto, a "Grande Guerra" causaria efeitos aterrorizadores como 13 milhões de mortes e 20 milhões de mutilados e feridos.

Assista aos vídeos educacionais que seguem para compreender melhor esse conflito ocorrido entre 1914 e 1918:









domingo, 29 de junho de 2014

Vídeos sobre Napoleão Bonaparte

Após trabalhar a vida, a personalidade e a carreira militar de Napoleão Bonaparte, foi solicitado que os alunos dos 4 oitavos anos/2014 gravassem um vídeo sobre o general estando livres para escolher qualquer roteiro. Confira algumas filmagens:

(Auto coroação de Napoleão Bonaparte por Ana Julia, Camila e Nathan do 8°ano II/2014.)

(Debate sobre as curiosidades napoleônicas produzido pelas alunas Djenyffeer e Jenifer 

(Jonathan, Kleisson e Caio do 8°ano II/2014, levaram Napoleão Bonaparte para desabafar com o psicólogo.) 

(Érick e Eduardo do 8°ano III/2014, falaram sobre a vida e carreira de Napoleão.) 

quarta-feira, 2 de maio de 2012

A Era Napoleônica

No dia 09 de novembro de 1799 a França se tornou cenário de um dos mais famosos Golpes de Estado do mundo. Esse movimento liderado pelo General Napoleão Bonaparte ficou conhecido como 18 Brumário segundo o calendário francês da época e deu início a mais uma onda de mudanças sociais dentro daquele país.

Ao derrubar o Diretório com o apoio do Exército e de um grupo de políticos influentes, Bonaparte iniciou o que chamamos de Era Napoleônica, quinze anos de governo centralizado em suas mãos entre 1799 e 1815. Para facilitar a compreensão podemos dividir esse período em três momentos distintos: o Consulado, o Império e o breve Governo de cem dias.



O Consulado (1799 a 1804):

Foi um período republicano onde o poder foi deixado nas mãos de três militares: Roger Ducos, Sieyes e Napoleão que era o principal deles, ou seja, o primeiro cônsul. Nessa fase os ideais de Liberdade, Igualdade e Fraternidade foram frustrados, a oposição foi aniquilada, a imprensa censurada, a polícia aumentou a violência, a economia foi recuperada graças a criação do Banco da França, os sistemas jurídico e administrativos foram reorganizados com nomeações do cônsul, o comércio foi fortalecido, o ensino foi remodelado para preparar os cidadãos para servirem ao Estado, foi criado um novo Código Civil dando prioridade aos interesses da burguesia, a Igreja Católica sofreu intervenções a partir de concordatas e as ocupações territoriais foram mantidas. Essas medidas agradaram as elites que apoiaram o Consulado Vitalício de Napoleão em 1802, dois anos mais tarde através de um plebiscito a população aprovou sua nomeação como Imperador do país.



O Império (1804 a 1815):

Foi um período ditatorial onde Napoleão governou o país sozinho da maneira que lhe parecia melhor. No ato de sua coroação em 02 de dezembro de 1804 ele retirou a coroa das mãos do Papa Pio VII demonstrando que ninguém ficaria acima dele, nem mesmo a poderosa Igreja Católica, depois de se auto-coroar ele corou sua esposa. Nessa fase ele concedeu títulos de nobreza e importantes cargos políticos a seus familiares, montou uma nova corte com seus militares, alguns burgueses e antigos membros da nobreza além de mandar construir monumentos como o Arco do Triunfo (construído entre 1806 e 1836).



A Expansão imperial:

Ambicioso como era, Napoleão decidiu expandir seu território, para isso fortaleceu seu exército tornando-o mais poderoso da Europa, chegou a dominar um terço da população européia, aproximadamente 45.000.000 de habitantes. Suas campanhas de expansão começaram a ameaçar alguns países, logo Áustria, Prússia, Rússia e Inglaterra se uniram contra ele.

O general venceu as tropas da Áustria, Prússia e Rússia entre 1805 e 1807, mas não conseguiu invadir a Inglaterra que contava com a marinha mais poderosa da época, sendo vencido na Batalha de Trafalgar em 1805. No mesmo ano durante a Batalha de Austerlitz contra a Áustria conseguiu dominar parte do território alemão além de conquistar alianças com terras próximas.


O Bloqueio Continental:

Em 1806 ao perceber que não conseguiria passar pela marinha para alcançar as terras britânicas ele decidiu mudar de estratégia e decretou o Bloqueio Continental, a partir dele nenhum país europeu poderia manter comércio com a Inglaterra, caso descumprisse a limitação teria suas terras invadidas pelas tropas francesas, mas isso não funcionou porque Portugal e Rússia se arriscaram a manter as relações comerciais.

Os russos precisavam vender seus estoques de cereais por isso desrespeitaram Napoleão em dezembro de 1810, dois anos mais tarde o Czar russo viu suas terras serem invadidas por mais de 180.000 cavalos e 600.000 soldados franceses. A Rússia usou seu rigoroso inverno como aliado, a população foi recuando enquanto queimava as plantações e casas, os franceses encontravam tudo destruído e aos poucos foram sendo derrotados pelo frio e pela fome. Era a técnica de Terra Arrasada.

Napoleão teve que desistir e retornar para a França, chegou na sua terra com menos de 100.000 homens definhando, era o principio do fim, pela primeira vez o general havia sido derrotado. Em 31 de março de 1814 os aliados invadiram Paris, exilaram Napoleão na ilha italiana de Elba e levaram Luis XVIII ao trono da França.



O Governo dos cem dias (1815):

Foi o breve período em que Napoleão voltou ao poder da França depois de ter fugido da ilha de Elba e conquistado o apoio do exército que deveria prendê-lo novamente. Nessa fase ele acaba perdendo a Batalha de Waterloo na Bélgica em 18 de junho de 1815 aonde é preso e enviado a Ilha de Santa Helena onde falece em 1821.



O Congresso de Viena (1814 a 1815):

Foi uma reunião aonde os países aliados que derrotaram Napoleão dividiram as terras novamente. Nesse encontro os aliados queriam recuperar as fronteiras dos países de 1792, antes das alterações causadas pela Revolução Francesa e pelas idéias Iluministas. Eles decidiram que o poder deveria ser tomado pelos herdeiros dos tronos de cada país e os mesmos deveriam se unir na Santa Aliança contra qualquer tentativa de revolução, esses governantes teriam que manter suas monarquias eliminando as idéias de República. A Santa Aliança não respeitou as diferenças culturais e acabou juntando povos muito diferentes sobre uma mesma coroa, com o passar do tempo esses povos foram alimentando seus sentimentos nacionalistas que levaram a criação de diversos países anos mais tarde.

Confira o trecho do filme Cidade dos Homens em que o personagem Acerola explica a expansão do território francês nas mãos de Napoleão:


Para mais detalhes sobre esse tema complexo confira os demais vídeos:





quinta-feira, 15 de março de 2012

A Revolução Francesa

(1789 a 1799)



A França antes da Revolução

Por volta de 1780 a França era o segundo país mais populoso do mundo contando com 25 milhões de habitantes divididos em 3 estados: Clero, Nobreza e Povo (burguesia e camponeses), praticamente 80% da população vivia no campo. A burguesia que gerava as riquezas era mantida fora do poder por não ter origem nobre. O iluminismo provocava desejo de mudanças sociais. Para aumentar os conflitos a monarquia passou a ajudar os Estados Unidos da América em sua independência esvaziando os cofres públicos. Em 1784 o destino fechou o cenário de caos, as péssimas colheitas levaram a fome generalizada e a queda brusca na arrecadação de impostos.


A Convocação dos Estados Gerais

Foi declarada pelo Rei Luis XVI para buscar a solução pra crise financeira. A reunião aconteceu em 05 de maio de 1789 após 170 anos em desuso. A votação seria por Estado, logo, Clero e Nobreza se uniriam e colocariam mais impostos sobre o Terceiro Estado, indignada a burguesia se retirou da reunião.


A Assembléia Nacional Permanente

Foi declarada pela burguesia como protesto contra a Convocação dos Estados Gerais. O Rei optou pela Monarquia Constitucional, mas parte da burguesia não aceitou porque desejava o fim do feudalismo junto aos camponeses. Pressionado, o Rei reconheceu a Assembléia Permanente e obrigou os Nobres e o Clero a se juntarem a ela dando inicio a Assembléia Nacional Constituinte.


A Queda da Bastilha

A Bastilha era a prisão para os inimigos do rei, assim era um símbolo do absolutismo. No dia 14 de julho de 1789 os populares tomaram a prisão espalhando revoltas pelo país a fora.


A Assembléia Nacional Constituinte

Iniciada em 17 de junho de 1789 durante a Assembléia Nacional Permanente. Em agosto ela cancelou o dízimo e as obrigações feudais além de aprovar a Declaração dos direitos do homem e do cidadão estabelecendo o lema de Igualdade, Liberdade e Propriedade. Em setembro de 1791 aprovou uma nova Constituição decretando: a Monarquia Constitucional (onde o rei representaria o povo, não Deus), a divisão dos três poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário), o voto censitário (só os ricos poderiam eleger o candidato), a permanência da escravatura em suas colônias e o livre comércio com outras nações. Todas essas decisões beneficiaram somente a burguesia deixando os camponeses de lado.


A Guerra contra os absolutistas da Prússia e da Áustria

As batalhas começaram em abril de 1792, os revolucionários despreparados acabaram sofrendo grandes perdas e acusaram o Rei e os monarquistas de traição. Revoltados decidiram prender Luis XVI em seu palácio e dissolveram a Assembléia Nacional Constituinte. Fazendo uso do sufrágio universal masculino estruturaram uma nova Assembléia chamada de Convenção Nacional.


A Convenção Nacional

Foi um regime republicano francês entre 1792 e 1795 com grandes divergências internas (entre jacobinos e girondinos). Em 21 de janeiro de 1793 condenou o Rei a morte na guilhotina. Em abril de 1793 criou o Comitê de Salvação Pública para manter a segurança nacional, esse comitê levou quase 50.000 pessoas à morte. Os jacobinos se tornaram maioria na Convenção e começaram a perseguir e matar os contra-revolucionários, foram cerca de 300.000 prisões e 17.000 condenações a guilhotina. Este período ficou conhecido como Terror. Nessa faze o sufrágio universal masculino foi aprovado, começou o confisco de terras da nobreza emigrada e sua distribuição entre os camponeses pobres e a escravidão nas colônias foi abolida.


O 9 Temidor

Em 27 de julho de 1794 os girondinos deram um golpe nos jacobinos expulsando-os da Convenção Nacional, a intenção era acalmar os ânimos para retomar os negócios. Os burgueses moderados assumiram o governo, prenderam e executaram os líderes jacobinos, dissolveram os clubes políticos, eliminaram as prisões arbitrárias, liberaram os preços, aboliram as execuções sumárias e iniciaram as perseguições aos jacobinos.


O Diretório

Decretado em maio de 1795 e formado por 5 líderes estabeleceu Nova Constituição aprovando o voto censitário e a liberdade econômica. Apoiou o golpe de Napoleão Bonaparte como forma de restabelecer a ordem social.


O Consulado

Instaurado em 10 de novembro de 1799, conhecido como 18 Brumário, sobre os cuidados do general Napoleão Bonaparte.

Para informações mais detalhadas sobre o período da Revolução Francesa, assista às vídeo-aulas que seguem:





(Apresentação de Eduarda Hoff na III Mostra Anual de História)


segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Visões acerca de um fato: o olhar dominado e o dominador

Este novo imperialismo europeu imposto pelos belgas sobre o povo do congo decorre da Revolução Industrial por isso ambicionava a extração de matérias primas e a dominação do mercado consumidor, além de significar maior contingente para os exércitos reais e canal de desembarque para os excessos populacionais de uma Europa em constante crescimento populacional. A ambição chegava a tal ponto que o rei Leopoldo II da Bélgica manteve o Congo africano como uma propriedade particular por treze anos, no período entre 1885 e 1908, quando vendeu suas terras à Nação tornando-as finalmente uma colônia chamada: Congo Belga.

[...] o livro “O Fantasma do Rei Leopoldo”, de Adam Hochschild (Companhia das Letras, 1999), relata minuciosamente os passos do processo, [...] o Congo Belga constituindo o paradigma da monstruosidade que foi a ocupação européia. O nazismo ali tinha muito a aprender. Começou por convocar em 1876 a Conferência Geográfica, com 24 líderes de outras nações, exploradores estrangeiros e 13 belgas, todos recebidos nababescamente e hospedados pelo próprio rei no Palácio Real, em Bruxelas. O único ausente era o mais famoso de todos, Stanley, que há vários meses desaparecera no ermo africano sem deixar rastro. Leopoldo pediu o auxílio dos presentes para sua obra: o estabelecimento de uma cadeia de postos “hospitalares, científicos e pacificadores” nas vastidões ignotas da África Central, tendo por objetivo ostensivo abolir o tráfico de escravos. E aproveitou o ensejo para obter a anuência de todos os presentes para a fundação da Associação Internacional Africana, ele mesmo sendo eleito presidente por aclamação. O destino do novo organismo é o que se veria subseqüentemente: desativado em silêncio, surgiria em seu lugar, com nome quase igual para ninguém perceber a diferença, a Associação Internacional do Congo, empresa privada de Leopoldo. No ano seguinte, o explorador Stanley ressurge, tendo ido e voltado ao longo do curso do rio Congo desde o Oceano Atlântico até o Índico, percorrendo 11 mil km em dois anos e meio. Desbravara a bacia do grande rio e mapeara seu curso, pela primeira vez. O que o ardiloso rei Leopoldo percebera através de Stanley é que o rio Congo, um dos maiores do mundo, formava com seus afluentes uma enorme rede natural de comércio colonial, ou seja, de penetração mercantil e de escoamento de matéria-prima. Como se viria a concretizar, o território de 3,3 milhões de km equivalia ao tamanho de 75 Bélgicas, ou pouco mais que uma Índia. Tudo isso seria, mediante uma estratégia militar e ideológica de uma inteligência perversa mas rara, açambarcado por Leopoldo como sua propriedade pessoal e privada. A certa altura, através de Stanley, o rei tinha fechado tratados de aliança com 450 régulos africanos da região, pagando a um jurista de Oxford para redigir os contratos em termos impecavelmente legais. Os régulos, que não sabiam ler e assinavam com um X, cediam-lhe em caráter perpétuo a posse da terra e seus bens, bem como direitos sobre caça, pesca, minérios, produtos florestais e mais o trabalho que fosse requisitado. E aqui está a chave para a escravização que se verificou. Em troca, os chefes recebiam, nos termos escritos de próprio punho por Stanley, “tecidos finos, paletós de librés, fardas com alamares vistosos (...), sem esquecer algumas garrafas de gim”. (GALVÃO, Walnice Nogueira. Para não esquecer o rei Leopoldo. 2007. Disponível em:  Acesso em: 04 nov. 2010.)

O trecho do ensaio do livro de Galvão, acima, reflete uma visão acerca dos acontecimentos oriunda do olhar do dominado, repleta de ironias sobre o caráter do rei belga, Leopoldo I. O inquestionável em toda e qualquer situação de dominação é esta postura de duas percepções totalmente antagônicas a respeito de um mesmo fato, afinal para algo como o Imperialismo ser fixado os direitos de alguns terão de ser violados, desrespeitados. No caso da dominação do congo não seria diferente. Sendo assim a citação de nossa professora, Eliza, demonstra dois olhares, a do dominado e a do dominador, no mesmo instante em que lemos podemos perceber que são completamente antagônicas. O dominador se declara herói, salvador, digno de aclamações por seus feitos, enquanto que o dominado se mostra inquieto, alvo de ganâncias, descaradamente explorado. Analisar as duas concepções é fundamental ao oficio do professor, só assim teremos acesso a todo o contexto histórico envolto nesse momento. Levar ambas as opiniões a sala de aula ajuda a formar cidadãos críticos, dotados de auto-censo, capazes de construir seu próprio entendimento sobre o assunto, olhando o mundo com seus próprios olhos.

Os impactos das Revoluções Francesa e Industrial de fins do século XVIII

Juntas, a Revolução Francesa e a Industrial, ambas ocorridas na transição do século XVIII para o XIX, foram responsáveis pela transformação radical do meio social europeu, considerado até então modelo sócio-econômico de desenvolvimento nacional. Desta forma, os reflexos das duas revoluções em questão, vão aos poucos se espalhando pelo mundo, contornando o globo, modificando todo o cenário mundial, moldando assim, o modelo capitalista vivenciado por nossa sociedade nos dias de hoje que caracteriza o mundo contemporâneo. Vejamos com mais detalhes como isso ocorreu:

No dia 05 de maio de 1789 eclodiu em Paris a insatisfação do terceiro estado com a monarquia vigente, através deste golpe proferido por trabalhadores e burguesia, esta última classe pode ascender nas cadeiras administrativas, até então restritas aos membros reais das famílias de sangue azul. Este movimento conhecido como Revolução Francesa trouxe à tona o princípio de Igualdade, Liberdade e Fraternidade demonstrando ao mundo que os homens são absolutamente iguais em direito e deveres, o que hoje nos parece tão corriqueiramente óbvio resultou de uma longa jornada de bravos homens em busca do mínimo de reconhecimento se opondo ao autoritarismo das grandes coroas européias, estabelecendo, desta forma, as bases do Direito atual, espalhando no continente uma onda de pavor entre a nobreza e um sopro de esperança entre as sociedades de todo o mundo.

Também em fins do XVIII eclode um outro movimento, desta vez na Inglaterra, uma potência com capital disponível, posição geográfica favorável e disponibilidade de energias de combustão, a popular Revolução Industrial que quebrou definitivamente com o modelo produtivo manufatureiro e instaurou a possibilidade da produção em massa. Este processo deslocou milhares de homens do campo, vítimas da perda de emprego para as máquinas, para os grandes centros industriais, onde boa parte deles acabou formando as legiões de desempregados, pedintes, prostitutas, catadores de lixo, entre outras situações degradantes em meio a poluição ambiental que crescia com força máxima aos arredores das pequenas e médias indústrias à vapor assim como proliferavam feito pragas os cortiços e instalações miseráveis dos trabalhadores amplamente explorados, mal pagos e maltratados. Em contraponto as cidades eram estrategicamente elaboradas visando seduzir os olhos do público comprador e abrigar luxuosamente os ricos membros desta sociedade, os emergentes industriais britânicos. Foi desta forma que as bases do capitalismo moderno se constituíram, baseadas na corrente do "laissez-faire, laissez-passer": deixai fazer, deixai passar, a crença de que a livre concorrência do mercado levaria a baixa dos produtos e um conseqüente aumento na qualidade de vida, mas não foi o que aconteceu, muito pelo contrário. Pela primeira vez na história o ser humano não dependia do sucesso da colheita pra se alimentar, mas sim do uso estratégico do parco salário mensal, também pela primeira vez  a natureza foi amplamente modificada, não só pelas derrubadas de matas para futuras construções, mas também pela presença da poluição do ar, visual e sonora, pela primeira vez pode ser utilizado o conceito de pobreza em seu sentido epistemológico, pela primeira vez avistamos o contraditório e ganancioso mundo contemporâneo que hoje, infelizmente, não causa mais espanto à ninguém, e do qual, ridiculamente, não há previsão para saída.