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quarta-feira, 27 de março de 2019

Martinho Lutero

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Nasceu em 1483 em Eisleben na Alemanha. Sua família de camponeses era pobre, mas seus pais se preocupavam muito com o desenvolvimento intelectual e espiritual dos filhos. Enquanto crescia Lutero aprendeu que Deus era um impiedoso juiz que não era amigo de crianças, pois agia de maneira vingativa quando elas pecavam.

Aos 13 anos o pai de Martinho o mandou para a escola franciscana da cidade de Magdeburgo. Para conseguir sobreviver ele precisou cantar de porta em porta enquanto pedia esmola nas ruas. Felizmente recebeu abrigo na casa de dona Úrsula onde conseguiu se desenvolver rapidamente, tanto que aos 18 anos conseguiu entrar para a universidade de filosofia em Erfurt.

Com apenas 21 anos Lutero já era doutor em filosofia, mas a vida não seria fácil. Uma doença quase o matou, depois sofreu um golpe de espada e logo em seguida um raio caiu ao seu lado.Tudo isso fez com que ele se tornasse mais próximo de Deus e, aos 22 anos, mudou-se para o convento dos agostinianos.

No convento Martinho atendia aos serviços mais humildes, era submisso, devoto e piedoso. A primeira missa que celebrou foi um grande evento, naquele momento ninguém duvidou que ele havia feito a escolha certa ao desistir da faculdade de advocacia para seguir carreira religiosa. Em pouco tempo foi convidado a ensinar filosofia em Wittenberg.

Enquanto exercia sua função de professor, encontrou tempo para estudar as sagradas escrituras e conquistou o grau de baccalaureus ad biblia.  Mais tarde, já ordenado como monge, Lutero viajou para Roma e ficou muito entristecido ao perceber a corrupção em que a igreja católica havia mergulhado.

Em outubro de 1517 Martinho escreveu 95 teses e fixou na porta da Igreja do Castelo, em Wittenberg. A intenção era fazer um debate público sobre a venda de indulgências (perdão) que a igreja católica praticava há muitos anos. Ele sugeriu que Deus desejava o arrependimento, e não o dinheiro, dos pecadores.

Não demorou muito para a igreja se sentir ameaçada e chamá-lo para prestar esclarecimentos. Lutero foi acusado de heresia (agir contra a católica) e exigiram que ele se desculpasse por suas teses. Mas ele se negou e fugiu. Assim o papa Leão X excomungou Martinho que enviou uma carta para ele pedindo que se arrependesse.

Martinho Lutero continou suas pregações, seu público crescia tanto que os sermões eram feitos ao ar livre. Muitos nobres tentaram amedrontá-lo e exigir que se desculpasse com a igreja católica. Certa vez foi cercado por cavaleiros mascarados que o levaram para o príncipe da Saxônia que queria protegê-lo. No castelo ele usou o nome falso de Jorge e fingiu ser cavaleiro.

Protegido da perseguição da igreja, Martinho pôde usar os seus conhecimentos em hebraico e grego para traduzir o Novo Testamento para o alemão. Seu maior desejo era que o povo pudesse ler a bíblia sozinho para não acreditar nos sermões distorcidos e cheio de intenções que os padres e monges católicos faziam.

Lutero acabou abandonando a vida de monge e conheceu Catarina von Bora, uma freira que também decidiu se afastar da igreja católica quando percebeu que tal religião estava agindo contra os desejos de Deus. Eles se casaram, tiveram 6 filhos e começaram a fazer cultos em sua própria casa, onde também recebiam alunos interessados em suas ideias de uma nova religião.

Martinho não cobrava pelos textos que escreveu e muitas vezes meditava por horas esquecendo de se alimentar. Escreveu muitos hinos que são cantados até hoje nas igrejas, com eles criou o primeiro hinário. Ele fazia questão que suas músicas fossem cantadas por todos do culto, e não só pelo coral como a igreja católica exigia.

Insistiu muito para que as mulheres tivessem o direito de estudar, assim como os homens. Escreveu cerca de oitenta volumes em alemão. Mas vivia angustiado com a possibilidade do Papa cumprir a promessa de queimá-lo vivo. Mesmo assim não parou de trabalhar e acreditar numa religião mais preocupada com o povo e menos com o dinheiro e a vingança.

Sofria de muitas doenças e acabou morrendo durante um ataque do coração aos 62 anos de idade. Seu corpo foi levado para o velório e enterro na mesma igreja onde pregou suas 95 teses na porta alguns anos antes. Seus amigos pastores fizeram lindos discursos e o mundo se despediu de um homem que dedicou a vida a demonstrar que a religião católica precisava mudar.

quinta-feira, 1 de outubro de 2015

Leonardo da Vinci, o maior curioso de todos os tempos

Publicado por CA en 23:25
(Fonte desconhecida)
Em 1452 nasceu na comuna de Vinci em Anchiano (Itália) o pequeno Leonardo. Sua mãe era uma simples camponesa chamada Caterina, com certeza ela jamais imaginaria que seu filho gerado durante uma relação com o tabelião Ser Piero se tornaria um dos maiores curiosos de todos os tempos. E foi graças a essa curiosidade pela natureza que ele se aventurou nos mais variados tipos de estudos.

Inventor, matemático, precursor da medicina, arquiteto, engenheiro, astrônomo, botânico, geólogo, músico, cozinheiro, dissecador de corpos, pintor, escultor, anatomista, zoólogo, físico, poeta... Todas essas profissões eram exercidas por ele enquanto unia talento, arte e ciência cobrando de si próprio nada menos do que a perfeição e o brilhantismo, por isso mesmo não era capaz de cumprir prazos de entrega e acabou perdendo muitos clientes que se irritaram com o atraso de suas encomendas.

Se levarmos em consideração o fato de que Leonardo viveu na mesma época em que gênios como Nicolau Maquiavel, Copérnico e Colombo, podemos imaginar o quanto a competitividade entre eles era grande. Seu maior desafeto foi Michelangelo, os dois trocaram indiretas em praça pública e Da Vinci sempre criticava as obras de seu concorrente, incluindo sua maior obra prima: a estátua de Davi.

Sandro Botticelli foi um artista que despertou a amizade de Leonardo, eles deixaram a rivalidade artística de lado e chegaram a abrir um pequeno restaurante vegetariano em sociedade. O empreendimento se chamava Taberna das Três Rãs e ficava em Florença, mas o negócio foi um fracasso porque não serviam carne. Aliás, essa não foi a única ideia de Da Vinci que deu errado, ele possui uma lista de invenções que nunca chegaram a sair do papel.

Alguns projetos de Leonardo não deram certo por causa do tamanho exagerado que custaria verdadeiras fortunas. Esse foi o caso do Grande Cavalo encomendado por Ludovico Sforza em 1488, a obra teria 70 toneladas e 15 metros de altura, mas não foi realizada porque o bronze necessário foi usado em canhões para enfrentar o exército francês. Em 1999 uma estátua inspirada nesse projeto foi erguida em Milão para homenageá-lo, porém ela tem a metade do tamanho pensado por Da Vinci.

Muitas de suas invenções já foram testadas. Em 2000 o seu paraquedas funcionou muito bem em Gales, ele seria perfeito se não fossem os 90 quilos e a falta de um furo no topo para estabilizar o aparelho durante a descida. Seu tanque de guerra experimentado em 2003 na Grã-Bretanha precisou ter as rodas invertidas para sair do lugar corretamente. No mesmo ano os britânicos também provaram seu escafandro (roupa de mergulho) e notaram que Da Vinci não colocou um fole no projeto, isso deixava a respiração difícil e dolorosa.

Há quem diga que essas pequenas "falhas" em seus projetos na verdade seriam intencionais porque Leonardo tinha muito ciúme de suas invenções. Porém elas realmente podem ser erros do inventor já que ele trabalhava em muitos projetos de uma vez só e, inclusive, abandonou muitas ideias pela metade. Em compensação, algumas de suas criações foram simplesmente perfeitas e insuperáveis, como os quadros de Monalisa e A Última Ceia, além dos robôs em formato de leão, cavaleiro e toca tambor.

O grande problema de Da Vinci era a desorganização, ele simplesmente anotava tudo em qualquer lugar e não se preocupava de registrar suas descobertas. Tanto que perdeu para Marcello Malpighi e Nehemiah Grew o crédito de ter descoberto a idade das árvores pelo número de anéis de seu tronco. Por outro lado, ele é considerado o primeiro a desenhar o homem vitruviano, mas na verdade esse projeto já havia sido estudado por algumas pessoas antes dele.

Podemos perceber que suas criações são bastante polêmicas, principalmente a bicicleta. Segundo o estudo dos desenhos, ela teria sido inventada muito depois da morte de Leonardo, mas por algum motivo desconhecido o projeto foi parar no meio de suas anotações. Suas anotações, por sinal, eram muito confusas, escritas de trás pra frente, com símbolos representando sílabas e palavras juntas formando uma só. Para piorar seus estudos elas foram vendidas para várias pessoas, inclusive Bill Gates, e acabaram se espalhando pelo mundo a fora.

Não se sabe por quê seus cadernos eram escritos de maneira tão complicada. Alguns acreditam que isso aconteceu porque ele sofria de dislexia, outros porque ele se acostumou com a escrita espelhada comum na infância, mas também há a probabilidade dele fazer isso para evitar borrões já que era canhoto. Mas, provavelmente, sua escrita difícil era para evitar que a igreja católica soubesse de seus estudos que, muitas vezes, iam contra as ideias religiosas de recato e obediência á bíblia.

Leonardo deixou muitos códigos escondidos em suas obras para evitar perseguições da igreja que já havia investigado-o por causa de uma denúncia de sodomia e homossexualidade que acabou arquivada por falta de provas. Entretanto até hoje acredita-se que ele tenha vivido uma paixão com Salai. Ele foi um de seus aprendizes e ficou famoso por ter ganho todos os livros de Da Vinci quando o mestre morreu.

A morte de Leonardo aconteceu em 2 de maio de 1519 e foi tão polêmica quanto sua personalidade. Como era extremamente perfeccionista ele deixou 60 mendigos contratados para acompanharem seu caixão. Acredita-se que tenha feito isso para zombar dos ricos que o sustentaram durante toda a vida contratando seus serviços. Porém o homem rico que ele mais quis ofender foi seu próprio pai pelo fato de ter deixado-o fora de seu testamento por ser um filho ilegítimo.

Atualmente Leonardo Da Vinci é considerado dono de um QI entre 180 e 220 pontos. É conhecido como o "mais completo dos homens", o "gênio dos gênios", e motivos para isso não faltam. Afinal, apesar de ter sido um tanto melancólico e desorganizado, ele se dedicou a estudos solitários nas mais diversas áreas do conhecimento e nunca se deixou abater por sua simplicidade. Nunca frequentou uma universidade, mas aprendeu sozinho os idiomas grego e latim.

Sua vida, sua genialidade e suas obras causam muita curiosidade e provocam especulações estranhas como as de que teria feito o santo sudário, praticasse bruxaria, dormisse apenas 15 minutos a cada 4 horas do dia, fizesse poções alquimistas, sofresse de hiperatividade, se camuflasse em suas pinturas, etc. Por causa disso tudo ele é muito usado em histórias de quadrinhos, filmes, vídeo-games, seriados de televisão e propagandas.

É fundamental que continuemos explorando o mundo de Da Vinci para mantermos viva a grandiosidade desse homem. Seja por seus projetos ou pelo o que especulam sobre ele, o que importa é glorificar essa figura simplesmente única, estudiosa e extremamente inteligente.
E que venham os novos Da Vincis do século XXI!

terça-feira, 19 de maio de 2015

Maria Antonieta, a última rainha da França

(Caricatura de Maria Antonieta por Isabela Serpa Ramos - 8ºano II/2015)

Nascida em 2 de novembro de 1755, a princesa austríaca Maria Antônia Josefa Johanna von Habsburg-Lothringen ficou conhecida mundialmente como Maria Antonieta, a última rainha da França. Sua pele branca, sua boca carnuda, seus cabelos louros e seus olhos azuis se tornavam ainda mais encantadores durante seu caminhar delicado e seus passos de dança elegantes.

Segundo relatos até mesmo Mozart teria se apaixonado por Maria Antonieta e lhe dito que casaria com ela quando fossem adultos. Na época o compositor estava com apenas sete anos de idade e teria se impressionado com a bondade da menina que o ajudou a levantar após uma queda no palácio de Viena contemplando-o com um beijo na bochecha como despedida.

Educada como a filha caçula entre 15 irmãos, a pequena desfrutava de uma vida alegre e religiosa em seu país sem imaginar o quanto seu cotidiano seria alterado em abril de 1770 quando sua mãe resolveu casá-la com Luis XVI, o príncipe herdeiro do trono francês.  A cerimônia foi realizada por procuração numa igreja de Viena e serviria como um importante arranjo político que traria maior tranquilidade aos austríacos.

A jovem de apenas 14 anos de idade não imaginava que estava sendo condenada a uma vida monótona e repleta de rituais cansativos. Por exigência de sua nova pátria, ao chegar à fronteira com a França, Maria Antonieta foi obrigada a deixar para trás tudo o que tivesse alguma relação com a Áustria. Não apenas seu enxoval e suas damas de companhia, mas até as roupas que usava. Maria Antonieta despiu-se e recebeu um vestido dourado para continuar a viagem.

Ao chegar à sua nova residência, o grandioso Palácio de Versalhes, Maria Antonieta ficou encantada com a beleza do lugar. Porém, logo percebeu que em seus 700 quartos dormiam mais de 3.000 nobres desconhecidos que fariam parte de seu dia-a-dia e, a maioria deles, não disfarçava a repulsa por sua origem austríaca. Segundo relatos, seu sogro Luis XV era quem mais agradava e convivia com Maria porque rapidamente se encantou por sua alegria e beleza.

As complicadas regras de etiqueta francesas rapidamente começaram a irritá-la. Sua privacidade era praticamente inexistente, até para lavar as mãos após o almoço era necessário ser observada pelos membros da corte. Entre todos os costumes franceses, o que mais irritava Maria Antonieta era o fato dos nobres terem amantes “oficiais”, como seu sogro, Luís XV, que, viúvo, levava às festas da realeza a ex-prostituta Madame du Barry.

Os apertados espartilhos franceses a incomodavam, sobre tudo porque gostava de sentar no chão para brincar com os filhos dos criados. Essa simplicidade incomodava a corte francesa que elegeu a madame de Noailles como cuidadora da jovem princesa para vigiá-la e mantê-la dentro das regras de etiqueta. Não demorou muito para que Maria Antonieta começasse a reclamar de sua rotina sem graça.

Em 10 de maio de 1774 o rei Luis XV faleceu, assim Luis XVI assumiu o trono transformando Maria Antonieta em rainha. Seu novo título lhe concedeu uma relativa liberdade que desfrutou dispensando boa parte das antigas damas de companhia, povoando a corte de gente jovem e fugindo para Paris durante as noites para frequentar bailes de máscaras, peças de teatro, óperas e apresentações de dança.

Como ela gostava de jogar cartas, Luís XVI instalou um cassino particular em Versalhes, na estreia da nova atração a rainha jogou durante 36 horas seguidas e perdeu uma boa quantia de dinheiro dos cofres da coroa, mas nada comparável ao que ela gastava para aumentar sua coleção de diamantes ou comprar aproximadamente 170 vestidos por ano.

Tempos depois seu marido a presenteou com o charmoso palácio do Petit Trianon que se tornou o verdadeiro paraíso para Maria Antonieta. Ela mandou instalar um inovador sistema de espelhos automáticos que cobriam as janelas, ordenou as construções de um terraço, um templo, um teatro e uma pequena fazenda.

No Trianon Maria recebia seu cabeleireiro e sua modista três vezes por semana, oferecia festas a fantasia aonde brincava de criada e abrigava seus melhores amigos. O povo francês não apreciava a intensa convivência da rainha com sua melhor amiga, Polaigne, e com um conde sueco chamado Axel Fersen. Assim surgiram boatos de que ela mantinha casos amorosos com eles.

Maria Antonieta usava a moda como uma forma de aumentar e sustentar sua autoridade em momentos de críticas sérias como essas. Por meio de novas roupas, sapatos e penteados, a rainha se impôs, colocando-se acima de qualquer mulher francesa. Por gastar tanto com seu visual, em pouco tempo, foi apelidada de Madame Déficit e se tornou alvo de caricaturas vendidas nas ruas.

Seu exibicionismo foi uma atitude inédita para uma rainha. Antes dela, as soberanas francesas tinham de apresentar uma imagem dócil e viver discretamente. Quem tentava se envolver em política e exibir seu poder por meio de roupas luxuosas eram as amantes dos reis. Mas a futilidade da rainha não era o que mais preocupava seus súditos, o que realmente os preocupava era o fato dela não engravidar.

Um herdeiro para o trono francês era fundamental para agradar a população, tanto que o irmão da monarca, Joseph, foi até Versalhes para visitá-la e saber o porquê da demora em gerar filhos, o que aconteceu somente sete anos após o casamento. Quando teve os últimos dois filhos, um menino e uma menina, ela se recusou a dar à luz em público, quebrando a tradição da corte francesa.

Maria Antonieta parecia viciada em provocar sua própria impopularidade. Ela substituiu o tradicional espartilho francês por cestos de palha cobertos por anáguas, chocou a corte e os plebeus ao cavalgar pelos campos, organizar corridas de cavalo e se divertir em passeios de carruagem a toda velocidade. Além de praticar todas essas atividades tipicamente masculinas, ela ainda começou a usar calças durante os esportes.

Os gastos de Maria com seus pequenos caprichos não tinham limites, somente o seu enxoval custou entre 18.000.000 e 26.000.000 de reais. Para guardar suas roupas eram necessários 3 quartos em Versalhes. E, enquanto a rainha gastava tanto, o povo vivia a maior crise financeira da história francesa.

Maria Antonieta sabia muito pouco sobre os problemas que começavam a se tornar insuportáveis para a população humilde. O inverno rigoroso destruiu as plantações e as pessoas começaram a se atacar nas ruas por um único pão. Esse produto, que era a base da alimentação francesa, chegou a custar o preço de um salário comum na época.

Muitas pessoas acusaram Maria Antonieta de ser negligente com seus súditos, mas a verdade é que Luis XVI não a deixava meter a colher na política e preferia mantê-la de fora dos problemas sociais que surgiam. Tanto que em 1784, durante a grande Revolução Francesa, o rei ofereceu mais dois palácios de presente a sua esposa, nem ele mesmo tinha ideia do que ocorreria com eles em breve.

O povo estava determinado a retirar Luis XVI do poder da França por sua falta de habilidade política e os altos impostos que cobrava somente da classe mais baixa do país. Maria Antonieta era o maior símbolo dos privilégios da nobreza, por isso foi atacada pelas peixeiras que invadiram o palácio de Versalhes determinadas a matá-la, mas optaram por levá-la como prisioneira até Paris.

Uma das melhores amigas da rainha não teve a mesma sorte, a princesa de Lamballe. Ela foi linchada pela multidão enfurecida e sua cabeça foi enfiada na ponta de um pedaço de pau e levada até a janela da cela de Maria, que entrou em pânico e desmaiou. Maria Antonieta até manobrou nos bastidores da revolução para que seus parentes austríacos atacassem a França e salvassem a vida de sua família, mas isso não foi possível.


Seu único filho homem foi arrancado de seus braços e doado a uma família que o matou com maus tratos. Em 16 de outubro de 1793, com 37 anos de idade, Maria Antonieta foi condenada a morte na guilhotina. Relatos afirmam que ela não chorou nem se espantou com sua pena. Pelo contrário, encarou o caminho até seu carrasco em silêncio após se defender inutilmente de maneira forte e inteligente no tribunal.

Ao fim desse texto é impossível não nos questionarmos: será que Maria Antonieta foi apenas uma rainha esnobe como costumamos ver nos filmes? Ou será que ela foi simplesmente uma monarca jovem e assustada que recorreu a compras excessivas para se adaptar a uma vida triste e um país tão contrário a ela? Reflita um pouco e construa sua opinião sobre essa personalidade tão famosa mundialmente, até mais.

sexta-feira, 4 de julho de 2014

Vídeos sobre As Grandes Navegações

Após trabalhar o surgimento, os objetivos, as rotas e as dificuldades das grandes navegações europeias dos séculos XV, XVI e XVII, foi solicitado que os alunos dos 5 sétimos anos/2014 gravassem um vídeo interpretando os tripulantes de uma grande navegação portuguesa, espanhola, inglesa, francesa ou holandesa. Confira um pouquinho do resultado final das filmagens:

(Grande navegação portuguesa por David, Eduardo Pizzoni, Luiz Henrique, João e Eduardo Amorim - 7ºI)

(Grande navegação portuguesa por Matheus Hames e Paulo Vargas - 7ºIII)

(As grandes navegações portuguesas e espanholas por Sinézio Otávio Dadam- 7ºII)

(Uma grande navegação inglesa por alunos do 7ºIV)

(Uma grande navegação portuguesa por Priscila Kuhn - 7ºV)

(Uma grande navegação portuguesa por Lucas Lopes - 7ºV)

(Uma grande navegação francesa por Amanda Campos - 7ºI)

terça-feira, 22 de abril de 2014

Depoimentos de trabalhadores durante a Revolução Industrial

Após trabalhar as dificuldades enfrentadas pelos trabalhadores ingleses das fábricas de tecido e minas de carvão do século XVIII, foi solicitado que os alunos dos 4 oitavos anos/2014 gravassem um depoimento interpretando um trabalhador do período falando sobre seu sofrimento dentro e fora de seu ambiente de trabalho. Confira o resultado:








sexta-feira, 4 de abril de 2014

As grandes navegações

Surgiram no século XV a partir do desejo pelas especiarias orientais (pimenta, seda, canela, cravo, porcelana, etc...) produzidas nas Índias (Índia, China e Japão). Esses produtos eram vendidos pra toda a Europa somente por mercadores de Gênova e Veneza a preços absurdos.

O primeiro país a se lançar na aventura de encontrar um caminho marítimo até as especiarias foi Portugal, seguido por Espanha, Inglaterra, França e Holanda. A partir dessas viagens, os europeus descobriram o continente americano, por acaso ou não. Após esse feito a América acabou dividia entre portugueses e espanhóis no Tratado de Tordesilhas (1494) dando inicio a um processo de colonização e exploração de nossas terra.

Assista a vídeo-aula que segue para conhecer os motivos, rotas e principais navegadores portugueses e espanhóis, confira:


terça-feira, 23 de julho de 2013

Império comercial português

A  busca pelas especiarias produzidas na Ásia, mais especificamente nas Índias, iniciada pelos portugueses em 1415 acabou desencadeando uma verdadeira caça ao tesouro por parte dos países europeus. Todos eles tentavam encontrar o melhor caminho para alcançar os produtos com suas naus e caravelas. Mas nenhum deles obteve tanto sucesso quanto Portugal.

O pequeno país, menor que o Estado de Santa Catarina, foi o primeiro a chegar nas Índias e daí em diante suas grandes navegações comerciais só fizeram aumentar. Em pouco tempo os portugueses já haviam colonizado terras na África, na Ásia e na América. Desta maneira formaram um vasto império comercial que lhes transformou no povo mais rico do mundo durante muito tempo.

Para quem achava que os portugueses carregavam somente negros, pau-Brasil, cana de açúcar ou café, é bom dar uma olhadinha no mapa que segue, pois ele mostra a grande variedade de produtos comercializados assim como as rotas comerciais mais exploradas por Portugal para alcançar suas colônias, confira (clique na imagem para ampliar):

(Mapa do império comercial português produzido pela aluna Tainara Mafessoli do 7º ano II - 2013)

terça-feira, 19 de março de 2013

A Escola de Sagres

(Local onde teria existido a Escola de Sagres)

Os portugueses costumam contar as história de uma incrível escola de navegação criada no século XIV por Dom Henrique. Segundo os relatos a Escola de Sagres reunia sábios europeus estudando as técnicas e instrumentos náuticos.

Sabemos que desde os tempos de Dom João II os sábios eram reunidos em Portugal para buscar soluções de navegação, mas teriam feito tudo oralmente para evitar que as informações escritas fossem roubadas por outros países. No entanto nunca existiu provas de que existisse uma escola.

No local onde dizem ter existido a Escola de Sagres existe somente uma igreja datada de 1500, um pequeno porto pesqueiro construído em 1800 e um ponto turístico erguido no século XX. A geografia do lugar sequer teria condições de receber os enormes barcos portugueses do século XV construídos para viagens comerciais que duravam meses.

Se Dom Henrique realmente tivesse inaugurado a Escola de Sagres porque teria incluído as disciplinas de astronomia, aritmética e geometria na Universidade de Lisboa? Ele de fato organizou as primeiras grandes viagens marítimas, mas provas de que ele fundou essa escola só para navegação não existem, nem documentais, nem arquitetônicas.


Para mais detalhes sobre o tema, assista a vídeo-aula que segue:


quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Histórias íntimas

(Capa da obra)
O livro Histórias íntimas: sexualidade e erotismo na história do Brasil é uma obra produzida pela renomada historiadora brasileira Mary Del Priore. A autora é conhecida por se preocupar com novas abordagens historiográficas partindo dos pequenos acontecimentos para enfatizar assuntos inéditos. Nesse livro ela percorre a intimidade dos lares brasileiros revelando detalhes curiosos acerca da vida a dois no país. Confira um pequeno resumo:

Da colônia ao império

Quando o Brasil ainda ocupava o posto de colônia portuguesa a situação das casas era precária. Os lares não ofereciam qualquer tipo de privacidade uma vez que nem as portas dos mais ricos possuíam fechaduras.  Nosso país era muito atrasado em relação a Portugal. Das boas maneiras europeias a única que era respeitada aqui nos trópicos era a proibição de andar nu, tanto dentro quanto fora de casa.

Nessa época (idade moderna) a igreja católica proibiu as pessoas de tomarem banho nuas. Tanto homens quanto mulheres precisavam se banhar com os calções e camisolas que usavam como roupa de baixo. Já os religiosos foram definitivamente proibidos de lavar seus corpos através do Código Justiniano. Por causa dessa decisão o batismo foi alterado. Antes todo o corpo era imerso em água, essa prática foi trocada pela benção somente na testa como é feita até hoje.

Imagine o cheiro desses corpos mal limpos. A higiene praticamente não existia no Brasil até o século XIX. Algumas mulheres gostavam de passar almíscar nas partes íntimas afim de evitar o mal cheiro, mas os homens reclamavam. Pediam para elas deixarem sujo antes da relação sexual, se sentiam mais atraídos dessa maneira. No século XVIII várias mulheres pediram divórcio por não suportarem o odor.

Pra piorar a situação os penicos passavam a semana inteira sendo carregados dentro do quarto mal varrido e sem janelas. O único conforto vinha das substâncias odoríferas que eram queimadas pela casa para espantar os mosquitos e o cheiro ruim. Nessas condições até os casais mais ricos preferiam manter suas intimidades ao ar livre. No meio do mato se preveniam de cheiros ruins e olhares indiscretos

Durante o sexo os casais não tiravam as roupas. A igreja regulava até os casados afirmando que o ato servia somente pra procriação e por isso não devia envolver carícias. Os católicos tinham dias e posições certas para se relacionar. A mulher por cima como dominante ou de costas como uma fera era estritamente proibido. Elas não deviam sentir prazer porque eram consideradas homens defeituosos. 

Em 1559 o clitóris feminino foi definido como um pênis mal formado. Dessa maneira as mulheres eram desprezadas ao máximo e serviam somente para gerar filhos. Os homens se atraíam por mulheres bem cobertas que mantinham seu pudor, embora não escondessem que durante os séculos XVIII e XIX a robustez e a morenice das indígenas fossem hipnotizantes. 

As damas decentes depilavam as partes íntimas, já as prostitutas zelavam por bastante pelos acreditando que eles eram atraentes. As mulheres negras recebiam palavrões durante as intimidades, já as brancas desfrutavam de alguns galanteios. As brancas serviam pra casar, as mulatas pra fazer sexo e as negras pra trabalhar. 

Os homens deviam ter prazer porque eram responsáveis pela procriação humana. Entre os séculos XVI e XVIII muitos eram submetidos a exames públicos de ereção. Mesmo contrariando os católicos os viajantes usufruíam de muita sensualidade nas terras que aportavam na Ásia e América aonde conheceram diversos afrodisíacos poderosos como o chocolate que despertava o prazer no século XVII.

A censura católica só fez aumentar substituindo o chocolate pelo café. Uma bebida quente que provocava o trabalho e o progresso. O amor erótico era tratado como uma doença desde o século XVI. As pessoas eram curadas até com sangrias porque acreditava-se que o sexo abreviava o tempo de vida e emburrecia os praticantes ao perderem muitos nutrientes nas secreções.

Secreções que só podiam ser feitas dentro do útero, fora deste local era considerado um pecado imperdoável. Falando assim até parece que os religiosos eram incorruptíveis, mas a história brasileira revela que a Reforma Católica demorou muito pra se instalar no país. Os casos sexuais de padres eram muito mais que comuns e ocorriam até nos confessionários.

As igrejas do século XVIII eram mal iluminadas e repletas de altares laterais que ofereciam um ótimo abrigo para práticas sexuais. O apagar das velas na quinta feira santa se transformava num grande entrelaçamento de corpos em busca de prazer. Afinal quem iria suspeitar deste local? 

Um século hipócrita

Até o século XIX os escândalos amorosos da família real eram disfarçados, mas com a entrada de Dom Pedro I no poder a situação mudou. Casos fora do casamento se tornaram corriqueiros e nada sigilosos. A sociedade reprimira o sexo, mas era absolutamente obsecada por ele. Adultérios de uma noite ou de anos a fio (concubinatos) viraram moda no Brasil.

Os viajantes que conheciam nossas terras apontavam os repugnantes vícios brasileiros. Denunciavam as traições afirmando que as amantes conhecidas como teúdas ou manteúdas eram moda. Lamentavam a situação das esposas que se casavam jovens demais e por isso acabavam definhando rapidamente. As pobres consortes ainda eram obrigadas a educar os filhos ilegítimos do marido.

Após o casamento as mulheres não podiam manter sua vaidade, deviam se vestir somente de preto e abandonar o uso de perfumes, roupas novas, penteados elaborados e fitas no cabelo. Sem permissão para sair de casa por volta dos trinta anos de idade já eram idosas sofrendo com a obesidade. Entretanto muitas moças não conseguiam casar-se numa terra de poucos homens.

Para essas jovens o destino podia ser generoso se aceitassem o posto de manteúda de um rico fazendeiro, banqueiro, comerciante, etc. Esses homens poderosos mantinham várias amantes desse tipo e elas eram respeitadas na sociedade quando mantinham a discrição necessária. Era uma maneira de subir na vida.

Publicamente somente as mulheres eram obrigadas a ser fiéis, mas as ricas sempre arranjavam amantes jovens para satisfazê-las secretamente, já as pobres optavam pelo divórcio. Resumindo, pular a cerca era mais que comum, e a culpa era de quem? Das pessoas negras e mulatas que provocavam o desejo carnal desviando os brancos da conduta fiel.

Na época a pena para adúlteros era a morte enquanto que aos amantes cabia o degredo. Entretanto, na prática, as pessoas nunca eram condenadas por suas aventuras sexuais. Tanto que até mesmo entre os religiosos era comum conceber filhos sem receber nenhum tipo de punição. Alguns jornais como A Regeneração da ilha de Florianópolis denunciavam essas situações luxuriosas.

Com a chegada de Dom Pedro II ao governo o Brasil foi invadido pelas novidades francesas. As novas tendências eram a dominação masculina representada pelos bigodes chamativos e a consequente fragilidade feminina sustentada pelos espartilhos, anquinhas, penteados suntuosos e palidez exagerada acompanhados de mãos, pés e nucas provocantes á mostra.

O culto a mulata faceira ganha força, mesmo sendo uma figura pobre. Os médicos começavam a alertar que o útero era capaz de dominar o cerébro criando verdadeiras loucas por sexo conhecidas como ninfomaníacas ou histéricas. Essas mulheres recebiam tratamento de loucura e tinham seus desejos acalmados por médicos para evitar futuras traições ao marido.

Os mesmos médicos souberam aproveitar seus conhecimentos eróticos para escrever livros para leitores homens. No fim do século XIX os "livros para ler com uma mão só" circulavam pelo país repletos de histórias e desenhos picantes que terminavam com a morte da mulher fogosa servindo como lição de moral. Podemos considerar esses livros como as primeiras revistar pornôs do Brasil.

A preocupação médica aumentava junto com a disseminação dos prostíbulos. Esses locais ficaram populares por receber estrangeiras, sobretudo francesas, repletas de sensualidade dispostas a ensinar as delícias sexuais aos moços virgens. Acreditava-se que as prostitutas mantinham a saúde de casamento, elas podiam ser refinadas (cocotas) ou pobretonas (polacas).

Os médicos pediam para os homens economizarem o esperma indicando no máximo três relações por semana para os jovens, uma a cada três semanas para os que somavam uns cinquenta anos de idade e nenhuma para os mais velhos. A masturbação era vigiada e punida severamente. A esterilidade era pregada como uma pesadelo. Tudo isso para manter a força do corpo.

De pouco adiantaram os apelos médicos. Tanto que os casos homossexuais aumentaram e os "frescos" eram vistos como doentes de espiríto que necessitavam de tratamento moral. A sífilis se alastrou pelo Brasil, o responsável era o homem e um dos tratamentos indicados era a relação sexual com mulatinhas virgens. Acreditavam que elas limpavam o sangue do homem infectado.

Primeiras rachaduras no muro da repressão

Até o século XX os calções e camisolas de dormir possuíam aberturas para o ato sexual, assim o casal  não precisava tirar a roupa na hora de dar continuidade á família. Entretanto o novo século chegou, a República instalada no fim do XIX trouxe muitas novidades que agilizaram o cotidiano: esportes, ginásios, teatros, danças, cinema, fotos, espelhos, exibição de corpos, entre outras coisas.

Com tantas mudanças as pessoas acabaram mudando também a sua maneira de pensar. Quando começou a Primeira Guerra Mundial por exemplo, as mulheres tiveram que trabalhar e precisavam de roupas confortáveis, por isso abandonaram os espartilhos e partiram pra cinta de borracha (recém descoberta). O metal usado nas armações dos vestidos seguiu pra produção de armas. Em 1913 o sutiã foi criado nos Estados Unidos da América.

E não foi só a roupa que mudou no universo feminino. A menstruação deixou de ser considerada uma doença e os paninhos usados para controlar o sangue foram deixados de lado graças a invenção de protetores de malha ou borracha. Aos poucos a sensualidade e a higiene viravam moda. Essa mulher moderna: magríssima, alegre, provocante e com cabelos curtos surgiu no teatro de revista por volta de 1920. Uma das precursoras no Brasil foi a inesquecível Dercy Gonçalves.

As tendências deixaram de vir de Paris. A moda agora vinha dos estúdios de Hollywood. As pessoas queriam ser como os atores dos filmes americanos: jovens e magros. Em 1908 foi lançado o primeiro filme pornô da história, mas possuir ou assistir um filme desse gênero se tornou crime sujeito a prisão. Em 1920 nos Estados Unidos da América foram criados quadrinhos com histórias pornôs. Quem eram os personagens? Pasme: Betty Boop, Mickey Mouse e Marinheiro Popeye.

A fotografia acabou gerando a pornografia no início do século XX em Paris. Já na Inglaterra os fotógrafos optavam por retratar as pessoas nuas em situações cotidianas como estender roupa no varal, era o naturismo tentando defender que o nu era natural e puro. Na capital, Rio de Janeiro, circulou entre 1900 e 1916 o jornal Rio Nu.

Era um verdadeiro sucesso entre os homens. A redação não possuía jornalistas porque era escrito por leitores. Continha piadas, cancões, poemas, caricaturas, anúncios de remédios, concursos de prostitutas e jogos de azar, tudo relacionado ao sexo para saciar desejos carnais que os maridos não podiam manter com suas esposas. Pela sociedade alguns médicos ousados começaram a sugerir o prazer simultâneo ao casal, era o super-matrimônio.

Em contra partida o governo tentava manter o pudor a todo custo. O presidente Vargas se uniu a Igreja para reforçar a necessidade do casamento. Os concubinatos viraram crime. As mulheres de família preservavam a virgindade para a noite de núpcias. Em 1930 a educação sexual se tornou uma necessidade para evitar doenças entre os homens e preparar as mulheres para a gravidez. As escolas possuíam salas aonde se verificava a higiene íntima dos estudantes.

Olhares indiscretos

Até o século XIX a Igreja não recriminava o aborto de fetos masculinos com até 40 dias e femininos com até 80 dias, a menos que fosse fruto de uma relação extra-conjugal. Os religiosos afirmavam que neles ainda não existia alma. Por outro lado o governo brasileiro via essa prática como um atraso social considerada crime desde 1890.

A primeira década do século XX manteve essas e outras contradições. O exagero de festas ritmadas exibiam mulheres provocantes, sobretudo no carnaval, mais conhecido como bacanal. Nessas ocasiões os desejos afloravam provocando repulsa nos conservadores. Mas aos poucos surgia um desejo ainda mais repugnante: o amor por meninos. Os pederastas (pedófilos) ganhavam espaço..

Pesquisas apontavam que quanto mais velho fosse o abusador, mais jovem era sua vítima. A medicina afirmava que a pedofilia era causada por embriaguez ou traumas passados. Só em 1915 o governo brasileiro sancionou uma lei contra o abuso de menores (jovens até 21 anos na época). Felizmente esses homens eram minoria, os bons pais de família começavam a entrar em alta.

Com o fim das guerras os homens largavam os duelos para se tornarem burgueses educados, trabalhadores e fortes. Esse novo modelo masculino devia ostentar cicatrizes de herói, praticar esportes e quem sabe até fisioculturismo. Eram os trabalhadores úteis ao país, um esteriótipo vindo de Hollywood. Do outro lado estavam os "almofadinhas", homossexuais que não construíam família para sustentar o Brasil.

O governo lhes tratavam como criminosos, anormais, bodes expiatórios durante batalhas. Eram alvo de aplicações de insulina, internações e cirurgias de troca de testículos numa tentativa de mudar sua orientação sexual. Entre as décadas de 1930 e 1960 esses jovens buscaram refúgio em pequenos apartamentos nas cidades movimentadas. Lá as "bonecas" podiam receber seus "bofes" em relativo segredo.

As mulheres, com o fim da 2ª Guerra Mundial, deviam voltar para sua casa onde cuidavam de suas famílias. Os jornais da época diziam como elas deviam se comportar. Precisavam ser ótimas mães e cozinheiras. Deviam manter a paciência, ser doce e meiga, tratando seu marido com compreensão e jeitinho. Entrar num carro com um homem só era permitido após o casamento.

O cinema espalhava o desejo por um carro, mas também pelas lambretas, beijos e carícias. Em 1950 o desquite se tornava comum mesmo que um segundo casamento fosse proibido. Aos poucos a sociedade começava a tolerar os casais que não viviam um casamento oficial. O prazer começou a ser vivido junto com o amor. E a igreja? Esta agia como se jovens do interior e idosos não tivessem pecados.

As transformações da intimidade

As décadas de 60 e 70 trouxeram uma revolução sexual, era o direito ao prazer. A higiene bucal trouxe o beijo a relação sexual. A chegada do anticoncepcional, do rock e do movimento hippie empurravam as barreiras sociais. As festas estudantis, as boates e os motéis se tornam uma rotina rondada de palavrões. A saúde e a beleza começavam a se democratizar ao mesmo tempo em que a cultura de massa era produzida pelas televisões trazidas pelo milagre econômico de 64.

Artistas começavam a se expressar livremente e por isso mesmo foram vítimas da repressão. As pornochanchadas (comédias picantes) ganhavam a cidade de São Paulo e contavam com artistas do nível de Vera Fischer e Antonio Fagundes. Acreditasse que o governo as tolerava porque acabavam distraindo o povo que deixava passar despercebidos os atos de repressão do Estado. Mas aos poucos os filmes brasileiros foram perdendo seu público para os pornôs explícitos vindas do exterior.

A novidade vinda da França era o topless, perseguido cruelmente. Nas praias de São Paulo e Rio de Janeiro os homens criticavam até mesmo as moças moderninhas que perdiam toda a sensualidade ao exibir o corpo nos grandes biquínis da década de 60. A mulher independente de meados de 70 trabalhava fora de casa sem sentir vergonha por isso, mas acabava se tornando alvo de  um marido enciumado. Ele cometia agressões e muitas vezes chegava ao suicídio sendo perdoado pela lei, pois estava defendendo sua honra.

Só em 1980 foram criadas as primeiras instituições voltadas a proteção das mulheres. As prostitutas começavam a lucrar em hotéis, em atendimentos a domicilio e até na beira das rodovias paulistas. Em 1987 organização um encontro para exigir seus direitos que até hoje não são atendidos. A face mais cruel da prostituição vem dessa época e ainda não tem solução: a venda de meninas pobres.

A pornografia infantil surgida nessa época e hoje ocupa o 3º lugar no ranking mundial. Perde somente para os Estados Unidos da América e Rússia. Um mercado que leva muitas crianças a sofrerem abuso sexual. O IBGE aponta que de cada 4 estupradores brasileiros, 3 são pais e 1 é padrasto da vítima.

Em 1975 veio a tona a primeira troca de sexo realizada no país. Ela havia sido realizada em 1871 e o médico acabou preso por um período a contra gosto de seu paciente. Só em 1997 esse tipo de alteração foi permitida e em 2008 passou a ser realizadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Um problema maior estava chegando para atormentar a saúde pública: a aids.

A doença chegou aqui por volta de 1980. Gays, drogados e artistas foram os culpados por essa calamidade. Por causa dela a abstinência, a monogamia e o corpo gorducho voltaram á moda. Só no ano de 2000 o povo conseguiu perceber que é possível viver com a doença, até então a pessoa contaminada estava designada a morte.

Desde 1980 o número de casamentos no país diminui, enquanto que o de divórcios aumenta sem parar. O Brasil está fadado ao fim das grandes famílias. Os homens estão apresentando crises de baixa estima. O individualismo caiu no gosto popular e esse narcisismo está construindo família de uma única pessoa. Uma realidade chocantemente rápida.

Para finalizar convido você a refletir sobre as alterações que os brasileiros sofreram em sua vida íntima nesses 500 anos de história. Leia a obra integralmente e formule sua opinião: como será nossa intimidade daqui a 20 anos? É um bom desafio pensar nisso não concorda? O livro vai lhe ajudar, além de ser uma leitura atrativa e leve. Confira.


terça-feira, 8 de janeiro de 2013

O queijo e os vermes

(Capa da obra disponível em: www.ibiubi.com.br)

O historiador Carlo Ginzburg estava pesquisando um outro assunto quando se deparou com uma figura bastante curiosa: Domenico Scandella, popularmente conhecido como Menochio. Esse homem foi investigado pelo Tribunal da Inquisição devido suas idéias excêntricas, idéias que conquistaram Ginzburg provocando nele o desejo de escrever uma obra somente sobre Domenico para criar a oportunidade de analisar sua mentalidade micro-histórica. Vejamos o que este personagem real possuía de tão especial:

Menochio nasceu em 1532. Morava em Friuli, uma localidade italiana bastante atrasada. Era casado e teve 11 filhos, dos quais quatro faleceram. Exerceu os trabalhos de pedreiro, marceneiro e carpinteiro, mas sua profissão era moleiro (dono de moinho). Possuía 2 moinhos e 2 campos para aluguel e usava a capa com capuz branco, traje dos moleiros. Ocupou o cargo de magistrado em 5 aldeias e administrador da paróquia local. Era letrado, talvez tenha frequentado a escola regular. Chegou a ser desaprovado por suas idéias, mas não odiado.

Que idéias tão chocantes um homem comum como este poderia possuir? Menochio foi denunciado á Inquisição em 28 de setembro de 1583 por causa de suas palavras ameaçadoras. Costumava blasfemar sobre os santos e Jesus Cristo, respeitava somente Deus. Em depoimento o pároco Odorico Vorai afirmou que Menochio não se confessava nem obedecia a hierarquia católica, isso prejudicou bastante o moleiro. O primeiro interrogatório aconteceu em 07 de fevereiro de 1584. Durante as perguntas Menochio admitiu questionar a virgindade de Maria, mas afirmou que não forçava ninguém a acreditar em suas idéias.

O homem era ousado pra sua época e formulou uma teoria chocante. Acreditava que o mundo havia surgido de uma grande massa composta por terra, ar, água e fogo em movimento. Dessa massa teriam vindo os anjos, assim como os vermes vinham do queijo. Sua fala chocava os religiosos que realizaram novos interrogatórios em 16 e 22 de fevereiro e também em 8 de março. No decorrer das conversas Menochio não renegava nada em suas idéias, mas pedia perdão prometendo seguir as regras católicas.

Em 28 de abril começou a falar sobre suas opiniões com os superiores católicos. Criticou o uso do Latim nos tribunais da Igreja uma vez que os pobres não compreendiam esse idioma. Afirmou que algumas leis da religião como os sacramentos não passavam de mercadorias. Já no dia 01 de maio num novo interrogatório ele afirmou que a Igreja Católica não deveria ter tanta pompa. Considerava os religiosos muito mais culpados pela pobreza do povo do que os próprios nobres. Dizia que a Igreja possuía terras demais e não podia ser considerada superior ao restante da sociedade porque todos possuem Deus dentro de si.

Tantas críticas aos católicos levou a suspeita de que fosse anabatista já que negava os sacramentos, as imagens sacras, o Cristo divino, o batismo, entre outros. Por outro lado Menochio valorizava práticas católicas como a missa, a eucaristia e a confissão. Alguns registros apontam que esteve em contato com o luterismo também. Logo, é impossível descobrir qual das três religiões realmente seguia, se é que seguia alguma verdadeiramente porque não aceitava idéias passivamente. Tudo indica que suas idéias eram próprias, apesar de indícios que tenha sido influenciado por Nicola de Melchiori (pintor da Porcia).

No inicio de seu processo Menochio era cauteloso dizendo ter sido tentado pelo demônio para falar tais coisas, mas tempos depois afirmava ter uma cabeça sutil que formou idéias após muitas leituras. A lista do que teria lido se perdeu, mas é fato que realizou muitos empréstimos na vila provando a existência de mais leitores do que o previsto. Era uma grande devorador de obras, sobretudo das escritas em língua vulgar. Sua maneira de ler era muito particular, lia de forma parcial e costumava ocultar algumas partes enquanto exaltava outras para provar as idéias que formulou.

Menochio não acreditava na divindade de Cristo nem em sua crucificação. Quanto a Deus pensava ser impossível que criasse algo sem matéria disponível, assim como o queijo. Para ele Deus era um pai amoroso, porém distante; era uma autoridade que não trabalhava, dava ordens, assim quem teria criado o mundo seria o Espírito Santo.  Dizia que todos os seres teriam vindo do caos entre os 4 elementos, primeiro vieram os mais perfeitos: os anjos, depois a santíssima majestade: Deus, e por último teriam surgido o Espírito Santo e a alma.

Para Menochio os homens tinham 7 almas (intelecto, memória, vontade, pensamento, crença, fé e esperança) que morriam juntamente com o corpo ( terra, ar, água e fogo). Também acreditava que as pessoas possuíssem dois espíritos, um bom (que retornava para Deus) e outro ruim (que desaparecia). Dessa maneira pensava em 2 mortes diferentes, a corporal e a espiritual. Enquanto explicava tais idéias ia viajando de texto em texto que lera. Sua vontade era conversar sobre esses fatos com homens importantes como reis e o próprio papa, mas tudo o que conseguira foi o diálogo com os padres da Inquisição.

Falava que o paraíso era uma grande festa, mas que o inferno não passava de uma criação dos padres. Considerava todo tipo de água benta desde que a pessoa soubesse usar as palavras certas. Tolerava cristãos, turcos, judeus e até heréticos porque para ele todos eram filhos de Deus. Desejava um mundo novo com uma nova sociedade formada lentamente. Ao que tudo indica conseguiu unir alguns ignorantes e sábios contra a hierarquia católica, embora não existam provas de seu contato com os sábios. Os inquisidores realmente não sabiam o que fazer com uma figura tão assustadoramente determinada e  crítica.

Os interrogatórios terminaram em 12 de maio. O processo já era cinco vezes maior que o normal. Cinco dias depois Menochio desistiu de um advogado e entregou uma carta pedindo desculpas aos católicos afirmando ter sido tomado por um falso espírito. No mesmo dia os juízes o condenaram por heresia. Sua pena era negar publicamente todas as suas idéias, cumprir várias penitências, vestir para sempre um manto com uma cruz e passar o resto da vida preso ás custas de seus filhos. Ele cumpriu todo o seu castigo até o dia 18 de janeiro de 1586 quando pediu perdão novamente e foi atendido com algumas condições.

Duas dessas condições eram a de usar o manto todos os dias e só sair da cidade para trabalhar. Em 1590 retornou ao cargo de administrador da Igreja de Montereale. Entretanto, em 28 de outubro de 1598 a Inquisição começou a julgá-lo novamente. Após alguns interrogatórios puderam perceber que ele vinha mantendo suas idéias somente para si e decidiram arquivar o processo. Porém, alguns meses depois, as idéias de Menochio haviam saído de sua aldeia e circulavam de boca em boca em outras localidades, assim ele foi preso novamente em junho de 1599.

Menochio foi condenado á tortura, mas revelou somente um nome com quem havia conversado. Ele previa sua morte e chegou a clamar por ela. Em 1601, provavelmente, foi morto por ordem dos mais altos escalões da Igreja Católica. 

A obra é interessante por apontar que Menochio se sentia extremamente sozinho por não ter com quem compartilhar suas idéias, pois ao que tudo indica não fazia isso nem com sua própria família. O autor do livro enfatiza a mentalidade desse homem comum analisando principalmente sua maneira particular de ler, sua curiosidade insaciável, sua mania de pensar e recriar além de sua vontade de falar com os sábios. Dessa maneira Ginzburg produziu um rico trabalho acerca da micro história, da subjetividade do personagem, ou seja, deixou de lado os grandes heróis e se interessou por uma pessoa comum observando como ela também pode ser interessante e, por que não dizer, até mesmo importante.
Deixo a dica dessa leitura louvável e aguardo novos comentários sobre a obra. Até mais.

segunda-feira, 16 de abril de 2012

A Revolução Industrial

Para informações básicas acerca desse grande acontecimento histórico, assista a vídeo-aula que segue:


Para ter uma idéia sobre as condições dos trabalhadores pobres durante a Revolução Industrial, assista a um trecho do filme Germinal. Essa obra também expõe as organizações de greves e sindicatos a partir das ideias de Karl Marx:


Aproveite para conferir um pouco da crítica de Charles Chaplin a respeito da mecanização do ser humano num trecho do filme Tempos Modernos:

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Iluminismo; não tenha medo de usar o intelecto

O Iluminismo, ou século das Luzes, foi um movimento intelectual e político europeu do século XVIII baseado na crença na razão. Esta libertaria os homens das trevas da ignorância e da superstição levando-os a liberdade, felicidade e bem estar social. Seu nome originou-se da idéia de que a Europa vivia, desde a época medieval, um período de trevas resultante do controle da Igreja sobre a sociedade, só a razão poderia colocar a humanidade no caminho da luz.

O movimento foi uma reação ao Antigo Regime. Seus membros criticavam a influencia política e cultural da Igreja, os privilégios da nobreza, a servidão no campo, os monopólios comerciais de certas corporações do Estado e a censura às idéias “perigosas”, batalhavam contra a ignorância, defendiam a educação do povo, a criação de escolas para todos e a liberdade religiosa. Tinham uma visão otimista sobre a capacidade do homem em criar um mundo melhor, realizar inventos e controlar a natureza. Divulgar o conhecimento era sua principal atividade, isso os levou a criação da Enciclopédia entre 1751 e 1780.

Principais pensadores iluministas

Autor
Principal Obra
Conteúdo

 



François-Marie Arout
(Voltaire)

(1649 – 1778)

Filósofo francês





Cartas inglesas





Ataques ao absolutismo e à intolerância religiosa e defesa da liberdade de expressão.
 



Denis Diderot

(1713 – 1784)

Filósofo francês



Enciclopédia



Dicionário ilustrado de todo o conhecimento ocidental existente na época.




Jean D’Alembert

(1717 – 1783)

Matemático francês




Enciclopédia




Dicionário ilustrado de todo o conhecimento ocidental existente na época.

 


Charles-Louis de Secondant

(Barão de Montesquieu)

(1689 – 1755)

 Filósofo francês





O espírito das leis




Crítica ao poder absoluto dos reis e defesa dos três poderes: Legislativo, Executivo e Judiciário.








Jean-Jacques Rousseau

(1712 – 1778)

Filósofo francês


Discurso sobre a origem e os fundamentos da desigualdade entre os homens




Critica ao poder absolutista e defesa da soberania popular (governantes submetidos à vontade do povo)

 




Adam Smith

(1723 – 1790)

Economista inglês



Investigação sobre a natureza e as causas da riqueza das nações



Crítica ao mercantilismo e defesa do liberalismo econômico (não interferência do Estado na economia). "laissez faire, laissez passer", que significa literalmente "deixai fazer, deixai passar".

  



David Ricardo

(1772 – 1823)

Ecomista inglês


Princípios de economia política e tributação



Crítica ao mercantilismo e defesa do liberalismo econômico (não interferência do Estado na economia).

Baseando-se nas idéias de alguns filósofos franceses (iluministas), diversos monarcas procuraram modernizar seus Estados na segunda metade do século XVIII. Não se tratava de relaxar o absolutismo, mas sim de trazer felicidade aos súditos e garantir seu apoio ao governo. Esses reis ficaram conhecidos como déspotas esclarecidos.

Com o iluminismo instalava-se uma noção otimista do mundo que não teria como interromper seu progresso no momento em que o homem contava com o pleno uso de sua racionalidade. Os direitos naturais, o respeito à diversidade de idéias e a justiça deveriam trazer a melhoria da condição humana. Assim o movimento motivou as revoluções burguesas que trouxeram o fim do Antigo Regime e a instalação de doutrinas de caráter liberal. Para mais detalhes sore o movimento iluminista, assista à vídeo-aula que segue:


Agora você já conhece um pouquinho sobre cada um dos principais iluministas, que tal memorizar as características de cada um deles brincando? Imprima o Jogo da Memória dos Iluministas e divirta-se (clique nas imagens para ampliá-las):