terça-feira, 2 de setembro de 2014

Os instrumentos de tortura utilizados para disciplinar e amedrontar escravos negros

Os primeiros escravos negros foram trazidos para o Brasil por volta de 1540, desse ano em diante nosso país foi palco de uma série de agressões, castigos e humilhações que tinham a finalidade de reforçar o poder dos senhores portugueses afim de disciplinar seus cativos africanos.

Todo esse horror se perpetuou até 1888 quando a Lei Áurea foi assinada pela princesa Izabel colocando um fim definitivo na escravidão negra, mas é importante lembrar que essa lei demorou a ser conhecida e respeitada em todo o país, portanto, até isso ocorrer, os negros que viviam no solo brasileiro tiveram de suportar diversos instrumentos de punição que surpreendiam até a mente mais criativa e má que se possa ter ideia.

Alguns instrumentos foram herdados ou adaptados da Idade Medieval, sobretudo dos tribunais da Inquisição Católica. Entretanto, muitos foram inventados somente para torturar a massa escrava. Conheça os mais comuns:

Caixinha para as mãos
(Desenho de Ezequiel dos Santos  e Luã Mateus Garcia - 7ºanoII/2014)
A caixinha para as mãos era usada como punição aos furtos leves praticados por domésticos. Também foi empregada como meio de punição pelos tribunais do século XVIII, para penalizar pequenos furtos. Prendendo geralmente a mão direita, esta era ferida com pregos. Além das dores do momento, o condenado ficava com a mão inutilizada. Depois era liberado. A marca nas mãos podia servir de exemplo para outros ladrões.

Cinto de castidade

(Desenho de Alam Vitor Mafra e Alexandre de Oliveira Iparraguirre - 7ºanoIV/2014)

O cinto de castidade masculino é menos famosos do que o feminino, e era usado por servos que serviam nos castelos. Servia para impedir estupros, os quais podiam ter, como alvo, não só as mulheres em geral, moradoras dos castelos, como também as esposas dos senhores feudais. Foi muito usado na baixa Idade Média, época da decadência da nobreza, na Itália, França e Península Ibérica. Mais tarde foi adaptado para preservar o gozo de escravos reprodutores, cuja função era fazer filhos para servirem nas fazendas brasileiras.

Algemas
(Desenho de Igor Pegoraro e Jean Carlos Fandaruff - 7ºanoII/2014)
As algemas, da época dos antigos egípcios, eram instrumentos utilizados para agrilhoar escravos e condenados. As de madeira serviam para a transferência de prisioneiros, impedindo, assim, que fugissem. As de ferro, além do uso acima, eram também utilizadas para pendurar as vítimas nos muros das prisões, criando condições de imobilidade que levavam, muitas vezes, à loucura.

Berlinda
(Desenho de Gabriel de Oliveira Iparraguirre - 7ºanoIV/2014)
A berlinda existia nos locais de mercado e feiras, ou na entrada das cidades. Era um instrumento considerado obrigatório na Idade Média, em quase todas as regiões da Europa. Este e outros instrumentos, fazem parte de uma série de punições corporais, que deviam constituir um exemplo para os outros. Era reservada aos mentirosos, ladrões, beberrões e às mulheres briguentas. Era um castigo considerado leve, mas quase sempre a pena virava suplício e tortura quando a vítima (pescoço e braços imobilizados na trave) levava comumente tapas e/ou era insultada pelo povo. Mais tarde foi adaptada e usada nas fazendas brasileiras para castigar e imobilizar escravos considerados fujões.

Cepo
(Desenho de Leandro Varela Soares e Leonardo Sabino - 7ºano V/2014)
Tronco grosso de madeira que o escravo carregava à cabeça preso por uma longa corrente e uma argola que trazia no tornozelo.

Açoite
(Desenho de Arthur Pereira Silveira - 7ºano V/2014)
O açoite (chicote) é um castigo conhecido e utilizado desde os tempos mais remotos. No período medieval, era reservado principalmente aos vagabundos e mendicantes, mas não eram excluídas as mulheres infiéis ou consideradas despudoradas que sofriam a ira de chicotes em formato de estrela ou do chamado “gato de nove rabos” que servia para tirar a pele das costas e do abdômen, para aumentar o seu efeito, as cordas eram banhadas em uma solução de salmoura. Aqui no Brasil, os chicotes chegaram no século XVI e se tornaram o castigo mais comum contra escravos negros, existiam dois modelos,de varinha ou de cinco fitas couro com vários nós em sua extensão. Era utilizado para punir pequenas faltas ou acelerar o ritmo de trabalho. Segundo a lei brasileira, qualquer escravo poderia receber até 700 chicotadas por dia em suas costas.

Cinto de contenção
(Desenho de Eduardo Pizoni e Luiz Henrique Lacerda Marchi - 7ºano I/2014)
Cinto de ferro que prendia as mãos na lateral do corpo e geralmente tinha agulhas pontiagudas por dentro. O preso era submetido a torturas ou deixado para morrer de frio, fome, sede ou atrofia. No caso dos escravos brasileiros, era usado para castigar, e não para matar, pois o negro deveria sofrer até não suportar mais, servindo de exemplo para os outros cativos.

Tronco
(Desenho de Eduardo da Silva e Juliano Cezar Lima da Silva - 7ºano II/2014)
Instrumento de tortura e humilhação feito de madeira com dois blocos perfurados. Nele os escravos permaneciam deitados presos pelos pés e mãos, ou pelos pés e pescoço. Alí ficavam paralisados e indefesos aos ataques de insetos e ratos, com contato com sua urina e fezes isolado num barracão até o seu senhor resolver soltá-lo.

Máscara de Flandres
(Desenho de Adrian Contesini Bunn e Deivid Maier Ferreira - 7ºano I/2014)
Era usada para punir roubo de alimentos, alcoolismo, ingestão de terra ou na mineração de diamante quando o escravo tentava roubar algumas pedras. As máscaras podiam cobrir todo o rosto ou só a boca. 

Anjinhos
(Desenho de Sinezio Octaviano Dadam Neto - 7ºanoII/2014)
Eram instrumentos que prendiam os dedos polegares das vitimas em dois anéis que eram espremidos gradualmente por uma chave ou parafuso.

Ferro de marcar
(Desenho de Cátia Schuck de Lima e Gabriella Marques Dama - 7ºano IV/2014)
Instrumento de ferro colocado na brasa para marcar escravos acusados de tentativas de fugas. Geralmente tinha o formato da inicial do dono do escravo ou a letra F de fujão.


Cegonha
(Desenho de Pablo Yan Correia e Victor Pereira Padilha- 7ºano V/2014)
Instrumento de tortura do século XVI, era uma espécie de algema ou grilhão que quase unia os pés e as mãos do torturado, impedindo qualquer movimento. Provocava, depois de poucos minutos, fortes câimbras, primeiro nos músculos retais e abdominais, depois nos peitorais, cervicais e nas extremidades do corpo.

Viramundo
(Desenho de Deivid Lucca da Silva e Maéli da Silva Vitorino - 7ºano V/2014)
Um instrumento de ferro que se abre em duas metades e se fecha por intermédio de um parafuso. Há nele buracos grandes e pequenos para os pés e para as mãos que são presos inversamente, ou seja: mão direita com pé esquerdo, mão esquerda com pé direito.

Pelourinho
(Desenho de Illana Alcantara da Silva e Paula Martha Cunha - 7ºano I/2014)
Nas cidades, os castigos de açoites eram feitos publicamente nos pelourinhos: colunas de pedra em praça pública, velha tradição romana. Na parte superior, estas colunas tinham pontas recurvadas de ferro aonde se prendiam os condenados à forca. Mas o pelourinho não servia somente para a forca, nele também eram amarrados os infelizes escravos condenados à pena dos açoites. O espetáculo era anunciado publicamente pelos rufos do tambor e grande multidão reunia-se na praça do pelourinho para assistir o escravo ser chicoteado. A multidão excitava e aplaudia, enquanto o chicote abria estrias de sangue na coluna nua do negro escravo.

Gargalheira
(Desenho de Amanda Soares Coelho e Samyra Eduarda Pereira - 7ºano I/2014)
Espécie de coleira colocada no pescoço de escravos para chamar a atenção mostrando que ele havia cometido algum erro.
Palmatória
(Desenho de Camila Otto da Silva e Mônica Sabrina da Silva - 7ºano IV/2014)
A palmatória, também chamada férula, é um artefato de madeira formado por um círculo com cabo. É um instrumento antigo que era usado em escravos ou alunos indisciplinados, golpeando-os na palma das mãos. Algumas palmatórias podiam conter furos no círculo, para vencer a resistência do ar e aumentar a velocidade do golpe, ou espinhos e pregos para machucar ainda mais a pele. Antigamente no Brasil, nas festas de formatura, era costume os alunos presentearem seus professores com palmatórias, como sinal de submissão à autoridade.

Pau de arara
(Desenho de Iasmim Maria Ceccato e Liriel Souza Miranda - 7ºanoII/2014)
O pau de arara é um método de tortura que foi muito utilizado no período da ditadura militar, mas existia desde o tempo da escravidão brasileira. É uma barra de ferro que é atravessada entre os punhos amarrados e a dobra do joelho, deixando o corpo do torturado pendurado a cerca de 20 ou 30 centímetros do chão. Nessa posição que causa dores terríveis, o escravo ainda sofria pancadas por todo o corpo.

24 comentários:

Anônimo disse...

foi a primeira vez que visitei esse blogger, e achei muito interessante, pois mostram desenhos feitos á mão explicando o assunto.

Anônimo disse...

Minha primeira vez aqui...
muito legal mesmo. Seu blog me ajudou e ajuda varias pessoas, vc faz td bem certinho!
prometo q toda vez q tiver em duvidas sobre historia voltarei aqui.
recomendarei para vários colegas, pois sei q eles vão adora.
obg muito pela sua ajuda!

edgard alves dos santos disse...

Belas ilustrações. Interessante observar que muitas pessoas, sem memória, defendam o retorno à ditadura e questionam os diretos humanos.

Saulo Santos disse...

Muito Legal , Parabéns Janaina Da Silva .

Anônimo disse...

triste...coitadinhos dos escravos!

Geremias Barbosa disse...

Olá passei por aqui para fazer uma pesquisa sobre instrumentos de tortura, do tempo dos escravos e muito me surpreendeu a quantidade dos mesmos, todos desumanos e humilhantes, a humanidade tem uma grande dívida com o essa raça tão humana quanto quem se assenhorava dos mesmos. obrigado pelas informações.

Anônimo disse...

Obrigado, Janaína Da Silva, com esse seu blogger aprendi varias coisas, minha professora me deu nota 10 nesse trabalho, tenho apenas 10 anos e sei de tudo isso? Gracas a você! Vlw!

Anônimo disse...

Quase não dá para acreditar em um horror desses, mas o pior é que esse tipo de coisa ainda acontece no nosso país e muitos, como naquela época, assistem e aplaudem. Muita crueldade.

Lillian Telma Timm disse...

Sou professora e essas informações sobre castigo dos negros serão apresentados pelos meus alunos. Muito obrigada

Anônimo disse...

e pensar que ainda há escravidão no Brasil. Por negligência das leis e das autoridades, ainda não conseguimos eliminar o trabalho escravo, fiquem atentos!

Carlos Braga disse...

Olá, olhando esses instrumentos de tortura, fico imaginando quão perversas eram as mentes de quem os criavam.
Como pode o ser humano ter chegado a tal grau de insensibilidade e maldade.
A humanidade tem uma dívida impagável com nossos irmãos negros.
Mas infelizmente, por incrível que pareça ainda hoje sofrem o abominável preconceito racial.

Anônimo disse...

parabéns pelo blog muito simples e maravilhoso gostei muito pois os desenhos são muito bem elaborado obrigada Deus te abençoe

Wagner Costa disse...

Realmente foi muita humilhação e sofrimento sofridos pelos negros. Se tortura é crime de guerra, os familiares dos senhores deveriam pagar atualmente por eles.

Unknown disse...

Muito bom consegui fazera minha atividade huehuehue

Anônimo disse...

Tudo muito triste.
Mas parabéns pelas informações úteis
Adicionei aos meus favoritos para mostrar para mais pessoas

Anônimo disse...

Vai me ajudar muito no meu trabalho da escola OBRIGADA

Dra. Libertad Valassi disse...

Prof janaina Da Silva impactante trabajo/ desconocia algunos de esos instrumentos/ que maldad tenian los que torturaban y los que callaban

Anônimo disse...

O ser humano é muito mau!! Difícil ver todo esse tipo de maldade e não se sentir agredido, revoltado e ver que a maldade é predominante na raça humana, parece atos normais!! O humano me sufoca com tanto terror!!

wood stock disse...

Gostei muito de utilizar o blog. Daqui retirei informações que me serão muito úteis na confecção de um vídeo poesia. Caso seja concretizado postarei suas referencias ok? e se der envio para o blog. Muito obrigado. Sebastião Queiroz - Publicitário - Produtor Áudio-Visual

Unknown disse...

É um absurdo ver seres humanos se acharem superiores a outros, é causar tanto sofrimento a vida.

bruno disse...

nossa esse site me ajudo muito descobri castigos que nem sabia mas poderiam colocar o castigo colar que colocava quando o escravo tentava fujir

Janaina da Silva disse...

Esse que você sugeriu é a Gargalheira que está no texto também.

Anônimo disse...

Muito bom o conteúdo! Não acredito que o ser humano possa ser assim, o pior é que o ser humano já fez coisa pior que isso. O ódio do ser humano acaba não só com ele mesmo mas com as coisas ao seu redor também. Queria que o mundo fosse melhor mas se o ser humano também não for não adianta em nada! Valeu pela matéria!

George Carlos disse...

De tão cruéis que foram, eu pergunto: será que uma pessoa escravista tem alma? Certamente não tem sentimentos. Sim, o Brasil tem uma dívida impagável para com os negros, que hoje são apaixonados por esse país.