segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Colônia Nova Itália, atual bairro de Colônia

(Vista parcial do bairro de Colônia - São João Batista (SC) em Brasil - Fonte desconhecida)

Os moradores da pequena cidade de São João Batista (SC) estão acostumados a ouvir comentários não muito elegantes sobre o bairro que atualmente se chama Colônia. Entretanto, as pessoas que costumam chamar essa localidade de “interiorzinho” e até mesmo de “fim de mundo” estão um pouquinho mal informadas.

Primeiramente, não se deve julgar qualquer local que seja, afinal quem somos nós para fazer isso?! Mas, em segundo lugar, é necessário conhecer algo para depois expressar sua opinião sobre tal. E, a meu ver, quem menospreza esse bairro provavelmente nunca investigou sua trajetória, tão pouco deve saber que lá se formou a primeira vila catarinense de colonização italiana.

Os primeiros italianos trazidos para Santa Catarina chegaram aqui em 1836 vindos da cidade de Gênova com o auxílio de Carlo Demaria. Eles estavam em busca de uma vida melhor, uma vez que a situação italiana era muito difícil devido a luta pela unificação do país. Na época, as terras de Colônia se chamavam Nova Itália e ofereciam terras férteis regadas pelo rio Tijucas.

Eram cerca de 180 italianos originários da ilha de Sardenha ou da região de Ligúria que carregavam os sobrenomes: Pesco, Riolfo, Alerto, Caviglia, Montardo, Sardo, Gambelli, Buzano,  Mattia, Pislori, Benotti, Grosso, Rilla Zunino, Formento, Ratto, Cognacco, Gnecos, Demoro, Nocette e Pison. As terras eram dividas conforme o número de integrantes de cada família que ganhariam sua posse definitiva após trabalharem dez anos na propriedade.


A vida dos recém-chegados não era nada fácil. Era preciso cultivar algodão para confeccionar suas roupas, cultivar mamona para usar o óleo no acendimento dos lampiões, fabricar canoas para realizar os casórios e produzir dentaduras para aplicar sobre os dentes quebrados que não podiam ser extraídos. Mas, entre todas as dificuldades enfrentadas, a mais cruel era o ataque dos bugres:

Mal a colônia se iniciava, já em 1837, foi atacada pelos bugres, senhores daquelas terras. Os sacrificados pela fúria dos bugres foram Luigi Ratto, Giovanni Benotti, Giovanni Rilla e Bernardo Gambelli mais a mulher e um filho. [...] Como se não bastasse, em 1838, a colônia sofreu uma grande enchente no período de 9 a 11 de março que prejudicou muito a lavoura. [...] Em 1839, houve novo ataque dos bugres, desta feita matando 3 homens e 5 mulheres, deixando mutiladas 3 crianças [...]”. (MAURICI, 2008)

Em meio a essa vida árdua, os primeiros colonos foram construindo esse pequeno bairro enquanto sobreviviam da agricultura, do corte de madeira nativa e da produção de engenhos de açúcar e de farinha de trigo. Foi exatamente nesse lugarzinho simplório que o primeiro calçado batistense foi confeccionado pelo Sr. Manoel Lourenço Peixer.

Será que algum dia o Sr. Manoel se deu conta de seu pioneirismo? A sua iniciativa de transformar um tamanco em sapato de couro após ver um desses em Florianópolis pode ter sido algo sutil para ele. Mas, atualmente, é exatamente da produção desse objeto que sobrevive grande maioria dos moradores de São João Batista, o calçado.

Graças a outro homem simples, mas de muita responsabilidade, a pequena localidade de Colônia cresceu cada vez mais. Lucas Boiteux foi o segundo administrador da localidade e foi ele quem providenciou um grupo policial para conter os bugres, várias estradas para facilitar o comércio, a construção de uma pequena escola para os meninos, entre outras decisões que fizeram a colônia prosperar consideravelmente.

Esse é apenas um pequeno resumo da trajetória deste pequeno grande bairro, mas, se você ficou ainda mais curioso e deseja obter mais detalhes, leia a obra intitulada São João Baptista do Alto Tijucas Grande de autoria da escritora batistense Darci de Brito Maurici. Espero que leia o livro por completo e registre sua opinião aqui nos comentários do blog.

Até mais!
  

4 comentários:

geovana disse...

adorei conhecer um pouquinho da historia de nossa cidade principalmente do bairro colonia parabens pelo blog

Biel Cog disse...

adorei saber um pouco mais da origem da familia cognacco.

fabiana leticia Sousa disse...
Este comentário foi removido por um administrador do blog.
Unknown disse...

Muito bom ! Pesquisando sobre o sobrenome formento e encontrei este relato. Adorei