segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

São João Batista (SC), os primeiros ocupantes


(Bugres catarinenses - Fonte desconhecida)

A aconchegante cidade de São João Batista, localizada no estado de Santa Catarina, vem recebendo um número significativo de moradores nos últimos anos. A maioria deles chega aqui em busca do sucesso profissional oferecido pela grande quantidade de indústrias de calçados que crescem no mercado nacional e também internacional.

O que podemos nos questionar é: quem foram os primeiros moradores desse município tão promissor? A história nos relata que os primeiros ocupantes foram trazidos das ilhas portuguesas dos Açores através do incentivo dos reis portugueses entre os séculos XVII e XX que queriam ocupar o sul brasileiro para não perdê-lo para os espanhóis.

Para deixar sua terra e vir morar na pequena localidade de São João, era oferecido aos açorianos uma porção de dinheiro, terras, instrumentos de trabalho, sementes, gado e armas de fogo. Durante o alistamento os casais tinham prioridade porque garantiam o crescimento populacional. Aos poucos, famílias inteiras chegavam aos portos de Florianópolis para seguirem seu caminho nos carros de boi até as terras batistenses.

Por volta de 1838 chegaram os primeiros açorianos que precisaram se adaptar ao novo ambiente, clima e alimentação encontrada. Após o período de adaptação, eles foram deixando diversas tradições que mantemos até hoje, como construções em estilo português, engenhos, presépios, terno de reis, festas juninas, procissão de Corpus Christi, boi de mamão, benzimentos, carnaval, farra do boi, bola de gude, pião, peteca, pular corda, beiju, cuscus, broa de polvilho, entre outras.

Ao mesmo tempo em que chegavam os açorianos incentivados pelo governo, também chegavam os italianos através de diversas empresas de colonização que valorizavam os hábitos de trabalho e persistência do povo da Itália. A viagem até São João Batista era muito difícil, mas, sem dúvida alguma, o maior problema enfrentado pelos açorianos e italianos foi a resistência dos grupos que já viviam em São João Batista desde a pré-história, os bugres.

Os nativos da cidade causavam pânico quando atacavam as vilas dos recém chegados da Europa. Sempre que invadiam os assentamentos era para espalhar o terror através de violência extrema, o que fez muitos imigrantes desistirem de construir sua vida em nossa cidade. Mas devemos nos lembrar que os bugres atacavam os homens brancos motivados pelo medo e a angústia de assistir suas terras sendo invadidas repentinamente.

A solução encontrada pelo governo e fazendeiros foi pagar a homens corajosos para se arriscarem pela mata em busca dos bugres. O bugreiro mais famoso de São João foi Martinho Marcelino de Jesus que com 18 anos iniciou sua  profissão, matar os bugres. Enquanto tentavam se livrar dos nossos bugres, os açorianos e italianos compravam pessoas para trabalharem para eles no solo batistense, os africanos.

Isso mesmo que você pensou, a pequenina São João Batista viveu a escravidão dos negros que conhecemos na escola e nem imaginávamos que tivesse ocorrido tão pertinho da gente. E não foram poucos escravos; o escritor Van Leede afirmou que em 1840 já existiam 190 escravos por aqui, todos registrados em cartório e seguindo uma vida de trabalho árduo sem nenhuma remuneração.

É importante ressaltar que não há indícios de que os escravos batistenses tenham sofrido castigos tão assustadores como ocorria frequentemente nas outras partes do país, inclusive alguns deles receberam de seus donos uma carta de liberdade condicional. Mas não é por causa dessa certa bondade que podemos ignorar ou menosprezar essa triste prática de humilhação humana realizada em nossa cidade.

Se você gostou de conhecer um pouquinho melhor a ocupação da pequena São João Batista, sugiro que leia a obra de Darci de Brito Maurici intitulada São João Baptista do Alto Tijucas Grande da editora e gráfica Odorizzi. Garanto que você  vai se surpreender com as revelações da escritora.

Até mais!

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